Neymar se envolveu em mais uma polêmica, dessa vez por fala considerada machista e misógina contra o árbitro Sávio Pereira Sampaio após a vitória do Santos contra o Remo (2 x 0) na noite desta quinta-feira (2). Com risco de ficar de fora da Copa do Mundo 2026, o atacante santista se revoltou após o fim do jogo por ter levado cartão amarelo - como foi o terceiro seguido, ele desfalca a equipe na partida de domingo contra o Flamengo, no Maracanã.
Segundo a imprensa especializada, essa era uma das chances de Neymar mostrar serviço e garantir seu lugar na lista de 26 jogadores que irão ao Mundial. O camisa 10 não é convocado desde o segundo semestre de 2023, quando se machucou gravemente no joelho em jogo contra o Uruguai, precisando passar por cirurgia. Em entrevista ao Sportv, Neymar disse que o árbitro "estava de chico", ou seja, como se estivesse em período menstrual.
"Sofri uma entrada de costas desleal, sem necessidade, era o final do jogo. Foi a terceira ou quarta (falta). Só fui reclamar com ele e já tomei o amarelo. Enfim, esse árbitro é assim. Acordou 'de chico' (entre risos) e veio assim para o jogo. Não podia nem falar com ele que virava as costas. Tipo de árbitro que quer ser a figura do jogo.
Jornalista da ESPN, Mariana Pereira foi uma das que se levantaram contra Neymar, pai de três filhas e um filho, ao vivo na TV. "O futebol permite que coisas constrangedoras sejam ditas de forma natural e engraçada. Só que a gente criou um lugar que se replica muito expressões sexistas, preconceituosas, machistas… Por muitos anos, algo biológico na mulher (menstruação) foi associado a algo sujo e constrangedor", iniciou.
"A mulher pode estar mais vulnerável durante esse período, mas não é uma regra. E mesmo se ela está vulnerável, ela cuida, educa, trabalha, serve, limpa a casa, presta contas, pilota avião, fala de futebol, cuida das crianças, alimenta marido, mulher, crianças, filhos, adultos… (...). O que me assusta e o que me deixa preocupada é um pai de três meninas mostrar que não entende nada sobre a mulher", disparou.
Nas redes sociais, entre ataques e defesa, internautas envolveram a deputada federal Erika Hilton (PSOL-SP), alvo de comentário transfóbico de Ratinho. Acontece que no programa "Roda Viva" (TV Cultura), a parlamentar disse que "uma mulher não é apenas menstruação, útero e genitália. É mais do que isso".
"Uma semana atrás estavam aplaudindo alguém por ela dizer que genitália e menstruação não definem o que é ser mulher. Desde ontem estão querendo cancelar o Neymar por ele falar que alguém acordou "de chico". Ué, mas menstruação define ou não o que é uma mulher?! Decidam-se!", pediu internauta. "Adivinha quem estão chamando de misógino?", questionou o vereador Rubinho Nunes (União Brasil-SP).
Outros internautas, porém atacaram o atacante santista. "Neymar é um bolsonarista; todo bolsonarista odeia as mulheres, é como se não tivesse mãe, irmã, filha, etc...", disparou. "Podemos adotar a expressão 'acordei Neymar', quando acordar com vontade de meter atestado no trabalho. Mas ele é um 'menino' né?", ironizou.