César Ferrario encontrou em ‘A Nobreza do Amor’ um apoio inesperado para atravessar um dos períodos mais difíceis de sua vida.
Viúvo da atriz Titina Medeiros, que morreu em janeiro deste ano, vítima de um câncer no pâncreas, o ator está prestes a se despedir da novela das seis, que tem previsão de término para 6 de novembro. O ator já gravou suas últimas cenas.
Na trama, Fortunato é um homem machista, violento e protagonista de uma relação tóxica com Maria Helena, interpretada por Quitéria Kelly. O contraste entre personagem e intérprete chamou a atenção de quem trabalha diretamente com o ator.
Theresa Fonseca, Daniel Rangel e Julia Lemos, por exemplo, já definiram que César Ferrario é extremamente gentil, o oposto do personagem.
“O contraste é fundamental para a percepção e para o entendimento de um personagem. Às vezes, é justamente aquilo que nos é mais estranho que nos oferece uma chave para compreender quem está diante de nós”, disse Ferrario para o Na Telinha.
Além do desafio profissional, ‘A Nobreza do Amor’ ganhou um significado pessoal muito maior. César contou que a rotina de gravações ajudou a organizar a vida depois da perda de Titina Medeiros e a encontrar maneiras de lidar com o luto.
“‘A Nobreza do Amor’ me ofereceu um trabalho seguro, regular, cercado de pessoas cuidadosas e atenciosas, num momento em que eu precisava encontrar maneiras de reorganizar tudo, inclusive a mim mesmo”.
O convívio com os colegas também foi fundamental nesse processo. César destacou que a convivência diária com o elenco e a equipe criou uma rede de afeto justamente quando ele mais precisava de acolhimento.
“Foram fundamentais para que eu pudesse atravessar o período. Além de Theresa Cristina, Julia Lemos, Daniel Rangel, Quitéria Kelly... e tantos outros que poderia citar, quero fazer uma menção especial a Luket, o nosso Ciço, com quem dividi casa durante esse tempo. A convivência nos aproximou de uma maneira muito bonita. Ganhei um irmão”.
Agora, com as últimas cenas já gravadas, César se prepara para encerrar esse ciclo. E, apesar de reconhecer a importância do trabalho em sua trajetória recente, o ator também espera que Fortunato tenha um destino coerente com tudo o que representa.
“Acho importante que sua trajetória não encontre na ficção uma espécie de absolvição que não gostaríamos de conceder a alguém como ele na vida real”, disparou.