Samira, vivida por Fernanda Vasconcellos, chegou de mansinho em ‘Três Graças’. A atriz, conhecida por papéis carismáticos, não encara exatamente a vilã da novela de Aguinaldo Silva, mas incomoda muita gente com características fraternais.
A personagem é o típico psicopata que se esconde sob um sorriso doce, um olhar acolhedor e uma fala suave. Samira é o retrato da falsidade disfarçada de empatia, uma mulher que aparenta ser amiga, mas esconde intenções sombrias.
Na atual trama das nove da Globo, a chef de cozinha se aproxima de Raul (Paulo Mendes), o menino carente filho da vilã Arminda (Grazi Massafera), oferecendo-lhe um simples hambúrguer, que, entre confidências, prepara para dar o bote: convencer o garoto a vender o filho que espera com Joélly (Alana Cabral).
Por trás da fachada caridosa, Samira faz parte de uma rede clandestina de venda de crianças, provando que o mal pode se disfarçar de bondade.
Mas ela não é a única serpente em pele de cordeiro. Lucélia (Daphne Bozaski) também mostra que a frieza e a manipulação não vêm sempre acompanhadas de um olhar ameaçador. Invejosa e obcecada por Maggye (Mell Muzzillo), a personagem usa gestos gentis e palavras doces para disfarçar o veneno.
Nos próximos capítulos, ela roubará uma gravura da galeria de Kasper (Miguel Falabella) e colocará a culpa no inocente Júnior (Guthierry Sotero).
Na teledramaturgia brasileira, personagens assim já marcaram época. Em ‘Caminho das Índias’ (2009), Yvone (Letícia Sabatella) foi uma das mais icônicas: amiga fiel na aparência, psicopata na essência.
Fingindo amizade por Sílvia (Débora Bloch), seduziu o marido dela, Raul (Alexandre Borges), sem qualquer suspeita. Sua máscara caiu de forma memorável, numa surra histórica dada por Melissa Cadore (Christiane Torloni).
Outra mulher fria e sedutora foi Alicinha (Cristiana Oliveira), de ‘O Clone’ (2002), também de Gloria Perez. Sobrinha de Edna (Nívea Maria), ela destruiu o casamento de Escobar (Marcos Frota) e Clarisse (Cissa Guimarães) para sugar o máximo de dinheiro do amante, e conseguiu.
E até mesmo personagens mais complexas, como Maria Marta (Lilia Cabral), de ‘Império’, exibem a mesma lógica emocional: o controle. Inteligente e calculista, ela manipula quem for preciso para proteger seu império e sua imagem, mesmo que para isso precise esmagar sentimentos e vínculos familiares.
Essas mukheres têm algo em comum: a frieza emocional travestida de afeto. Seja nos folhetins de Aguinaldo Silva, Gloria Perez ou outro autor, essas personagens são memoráveis.