A novela 'Três Graças' vem ganhando o reconhecimento do público a dois meses da grande final. Não é por acaso que o folhetim de Aguinaldo Silva ganhou prêmios importantes no Melhores do Ano do Domingão do Huck, como, por exemplo, Novela, Atriz (Grazi Massafera) e Ator (Murilo Benício), desbancando 'Vale Tudo', a grande aposta de 2025.
O grande sucesso da obra está em uma gama de estratégias simples na tradicional aposta que já provou ser sucesso na teledramaturgia: personagens fortes, conflitos intensos e reviravoltas constantes.
E, guardadas as devidas proporções, é inevitável não lembrar de 'Avenida Brasil', fenômeno de audiência exibido originalmente em 2012 que chegou com tudo nesta segunda, 30, no Vale a Pena Ver de Novo.
Mais do que uma simples comparação, a atual trama das nove bebe da mesma fonte que consagrou a história de vingança de Nina e Carminha. Por isso, veja 7 pontos em comum que ajudam a explicar por que as duas novelas conseguem prender tanto o público, algo cada vez mais raro nos dias de hoje.
Se 'Avenida Brasil' teve Carminha (Adriana Esteves) como uma das maiores vilãs da TV, 'Três Graças' aposta em Arminda como uma antagonista de presença marcante.
Ela não apenas reage aos acontecimentos, e sim, provoca, manipula e conduz boa parte dos conflitos da trama, tornando-se peça-chave para o andamento da história.
Uma das grandes qualidades de 'Avenida Brasil' era sua agilidade narrativa, sem 'barrigas'. Em 'Três Graças', a estratégia se repete: os capítulos são recheados de acontecimentos importantes, com viradas frequentes que mantêm o espectador sempre curioso pelo próximo episódio.
As duas novelas têm como base relações familiares conturbadas, cheias de mágoas, segredos e disputas emocionais. Esse tipo de conflito chama o público, que se reconhece nas dores, nos traumas e nas tensões entre os personagens.
São nesses encontros cotidianos que as novelas criam identificação imediata com o público. Na trama atual, Lígia (Dira Paes) é o grande elo da família, sempre reunindo filha, neta e até os agregados em volta da mesa para um café simples ou um lanche da tarde.
E quem não ficava de olho nas refeições da família de Tufão (Murilo Benício) em 'Avenida Brasil'? Esse retrato de famílias compartilahndo alimentos e conversas do cotidiano aproximam o telespectador das histórias.
Assim como em 'Avenida Brasil', onde ninguém era totalmente herói ou vilão o tempo todo, 'Três Graças' também constrói personagens complexos. Eles erram, acertam, mudam de opinião e surpreendem.
Atualmente, está cada vez mais raro torcer por um mocinha de novela. E isso se deve a vários fatores: falta de carimsa da personagem e da atriz, história mal desenvolvida, e até a química com o mocinho interfere no destino da personagem principal.
Em 'Avenida Brasil', o público comprou sem esforço a jornada de vingança de Nina (Debora Falabella), determinada a destruir Carminha (Adriana Esteves). Já em 'Três Graças', Gerluce não é movida pela vingança, mas por um forte senso de justiça.
É justamente esse traço que a leva a cometer um ato extremo para salvar a mãe, debilitada de saúde. O carisma da personagem passa diretamente pela entrega de Sophie Charlotte, que sustenta a complexidade da mocinha com intensidade. Pena que a Globo não reconheceu o talento da atriz ao esquecer de indicá-la ao prêmio de melhor atriz!
Outro ponto em comum é o cuidado com os núcleos secundários. Nas duas produções, as histórias paralelas não são apenas 'preenchimento' elas ajudam a enriquecer o universo da novela e mantêm o interesse do público em diferentes frentes.