A Globo lançou nesta terça-feira (25) sua primeira novela vertical, "Tudo por uma Segunda Chance", apostando em capítulos curtos, consumo rápido e narrativa intensa nas redes sociais. Protagonizada por Débora Ozório, Daniel Rangel e Jade Picon, a produção chega com a missão de dialogar com a lógica das plataformas - cortes rápidos, enquadramento vertical e dramaturgia condensada...
Mas, se a proposta inovadora chamou atenção, a recepção do público foi tudo menos unânime. Logo após a liberação dos 10 primeiros capítulos, internautas transformaram X (antigo Twitter) e Instagram em arenas de debate, críticas, comparações e ironias sobre atuação, roteiro e estética da produção.
Os capítulos iniciais apresentam Paula (Débora Ozório) e Lucas (Daniel Rangel), noivos às vésperas do casamento, e Soraia (Jade Picon), amiga de infância do casal e antagonista declarada. Movida por ciúmes e ambição, Soraia coloca veneno na bebida de Paula, mas, em uma reviravolta imediata, é Lucas quem bebe o espumante adulterado e desmaia.
O empresário entra em coma e, em seguida, acorda desorientado. Enquanto isso, Paula é acusada injustamente pelo envenenamento e acaba presa devido às provas plantadas pela vilã. A narrativa, então, se desdobra entre manipulação, culpa e o início do arco de vingança da protagonista.
Apesar da proposta de ritmo ágil (necessária para o formato vertical), muitos usuários não perdoaram a combinação entre velocidade narrativa e tom exagerado.
Entre todos os alvos, Jade Picon foi, de longe, o nome mais citado - e criticado - nas redes. O desempenho da atriz, que ganhou destaque nacional em "Travessia", voltou ao centro das discussões digitais. Diversos comentários expressaram insatisfação ou frustração. "A Jade Picon canastrando mais uma vez e isso porque disseram que ela estava se dedicando nos estudos para atuação. Pelo visto não aprendeu nada", detonou um perfil no X.
"Gente, ela era pior que isso? Sério que estão achando a atuação dela boa?", questionou outra, desta vez, no perfil oficial da TV Globo no Instagram, rebatendo a elogios feitos à ex-BBB.
"Já se passaram três anos desde Travessia, e a atuação da Jade Picon continua praticamente no mesmo ponto. Segunda chance ela até teve… evolução que é bom, nada", expressou outro. "Jade Picon segue horrorosa atuando né? Meu Deus, e com esse roteiro tenebroso então... a Globo morreu", disparou mais alguém.
Além da atuação, o roteiro foi outro elemento que rendeu críticas fervorosas. Internautas ironizaram diálogos, reviravoltas súbitas e a simplicidade da estrutura, características que, para alguns, soam como defeito, e não como adaptação a um novo formato. "Uma criança escreveu esse roteiro?", indagou outro espectador, indignado. "Sim. Estranho lkkkkkkk. Parece as novelas que eu criava quando criança", ironizou outro.
Com a estética mais declaradamente dramática e acelerada, a novela aposta em um “camp” assumido, mas nem todos receberam bem essa proposta.
A intenção de dialogar com o consumo de redes - especialmente TikTok - também foi alvo de ironia. A estética vertical, as falas mais diretas e os movimentos pensados para telas pequenas foram encarados por parte do público como um excesso de teatralidade ou artificialidade. "Eu entendo a proposta 'camp', mas precisava? Meu Deus, gente! O TikTok comeu a cabeça de vocês", disse outra pessoa.
O objetivo da Globo é claro: marcar presença no consumo audiovisual da geração que vive no celular. Episódios de 2 a 3 minutos, lançamento simultâneo no TikTok, YouTube, Instagram, Facebook, X e disponibilidade futura no Globoplay configuram uma tentativa de modernização do formato novela. Mas, ao mesmo tempo, a estreia evidencia o abismo entre proposta e recepção...
Se a Globo esperava repercussão, conseguiu. Com 50 capítulos previstos e lançamentos semanais em blocos de dez episódios, "Tudo por uma Segunda Chance" ainda tem muito terreno pela frente. A tendência é que as discussões nas redes continuem a acompanhar cada nova leva de capítulos!