Entrevista | Longe das novelas há 7 anos, Leonardo Miggiorin concilia musical sobre Tina Turner com atendimentos como psicólogo: ‘Não preciso fingir que sou outra pessoa’
Publicado em 17 de maio de 2026 às 09:01
Nesta entrevista ao Purepeople, Leonardo Miggiorin detalhou a rotina em ‘Tina Turner, O Musical’ e explicou seu trabalho voltado ao psicodrama. Confira!
Entrevista | Longe das novelas há 7 anos, Leonardo Miggiorin concilia musical sobre Tina Turner com atendimentos como psicólogo: ‘Não preciso fingir que sou outra pessoa’ Leonardo Miggiorin concedeu uma entrevista ao Purepeople, onde falou de diversos momentos da carreira Leonardo Miggiorin pode ser visto atualmente em ‘Tina Turner, O Musical’. A peça está em cartaz no Teatro Santander, em São Paulo, de quarta a domingo Leonardo Miggiorin interpreta John Carpenter, um executivo da gravadora Capitol Records, em musical sobre Tina Turner Leonardo Miggiorin sobre musical de Tina Turner: ‘Embora não seja o principal racista, o personagem é da turma dos racistas, representa essa discriminação que aconteceu com a Tina’

Nos palcos, ele conta a história de uma mulher que transformou dor em potência. Fora deles, também revisita as próprias vivências na indústria, entre as lembranças de personagens que marcaram gerações, a pressão silenciosa dos bastidores e a busca por uma carreira cada vez mais alinhada com sua verdade.

Leonardo Miggiorin é um dos destaques de “Tina Turner, O Musical”, espetáculo que aborda lutas e glórias da rainha do rock ‘n’ roll. A peça está em cartaz no Teatro Santander, em São Paulo, de quarta a domingo.

“No ano passado, eu fiz um monólogo, ‘Não se mate’, com textos do Drummond. Amei fazer a peça, mas no camarim, eu ficava sozinho. Era só eu e Deus. Juro, eu falei em voz alta: ‘Deus, me manda uma peça com 30 pessoas no elenco’. E aí vieram 32 pessoas no elenco”, comemora Leonardo, nesta entrevista ao Purepeople.

Seu personagem é John Carpenter, um executivo da gravadora Capitol Records. Apesar de ser uma figura ficcional, carrega a responsabilidade de representar os muitos profissionais racistas e etaristas que atravessaram o caminho de Tina. Um lembrete de que, mesmo em contextos temporais e sociais tão diferentes, a realidade enfrentada pela rockeira não é muito diferente para representantes das minorias sociais.

“É um personagem que, embora não seja o principal racista, ele é da turma dos racistas, que representa essa discriminação que aconteceu com a Tina. Então, tem um peso”, reflete Leonardo, que acrescenta que seu personagem “expõe os bastidores do show business e nos lembra situações do mercado, da economia criativa”.

Imerso em reflexões sobre o sofrimento enfrentado por Tina, ele defende que artistas não podem se alienar. “A gente tem uma certa obrigação de rever algumas posturas, alguns pensamentos, de combater o racismo, combater o feminicídio. A gente não pode só olhar para o nosso umbigo, a gente tem que buscar uma consciência maior, de classe, sobre privilégios, da desigualdade que existe no nosso país. Temos que estar atentos.”

O profissional foi convidado para realizar audição ainda no ano passado. Engana-se quem pensa que seu currículo, cheio de trabalhos populares entre o grande público, lhe trouxe alguma vantagem. Foram os produtos da montagem original, de Londres, os responsáveis por avaliar os testes e dar a aprovação.

O famoso não é estreante em musicais, mas sentiu a responsabilidade de uma montagem desta proporção já nos testes. “Normalmente, fico mais tenso com meu teste de canto, mas, dessa vez, a minha maior dificuldade foi na coreografia. Porque é muito rápida. Eu passei de primeira no teste de canto e de interpretação, mas o teste de dança tive que fazer duas vezes, porque no primeiro, me atrapalhei todo. É igual musculação, você tem que estar na atividade”, pontuou.

Leonardo conversou com a reportagem do Purepeople por telefone, em uma das raríssimas folgas durante a semana. “Parece que a gente dá uma pausa na vida. Eu brinco que a gente está em um transatlântico da Tina Turner, parece um cruzeiro que a gente entrou e só vai sair em julho.”

Embarcado neste transatlântico, a delícia das plateias lotadas vem junto com o sono desregulado e um adeus quase completo à vida social. “Mas isso é uma exigência do teatro. Você vê ali meninas dançando sem parar. É alto rendimento de atleta”, diz, empolgado. “A gente precisa ter esse foco para não ficar doente, não perder a saúde. E para entregar o resultado que a gente deseja ali.”

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LEONARDO MIGGIORIN CONCILIA CARREIRAS DE ATOR E PSICÓLOGO

Leonardo se formou em Psicologia na década passada, em uma graduação que levou alguns semestres a mais para ser concluída devido aos compromissos nas artes cênicas. Em 2025, o ator dominou manchetes ao se tornar professor universitário. Muita gente cogitou que ele trocaria definitivamente de profissão, algo veementemente descartado.

Foi através de uma especialização em psicodrama que veio a descoberta de como unir seus dois ofícios. “É a cura através do teatro. É o que eu faço comigo mesmo. Eu me curo das minhas angústias fazendo teatro”, define.

Psicodrama é uma abordagem terapêutica desenvolvida pelo médico, psicólogo e dramaturgo romeno Jacob Levy Moreno, que propõe a dramatização de cenas reais ou imaginárias para explorar conflitos pessoas.

“Imagina que a gente está falando alguma coisa da sua família e, de repente, surge uma cena com o seu pai. A gente vai dramatizar essa cena. É um jogo, mas que ajuda muito. Eu tenho essa vida de vários papeis, eu repenso a minha própria vida quando eu vou fazer um papel. Mas as pessoas que não são desse metiê não têm essa prática. Muitas vezes, aquilo que é básico para nós, para uma outra pessoa, é uma descoberta”, explica o terapeuta, que já ministrou duas turmas e se prepara para abrir uma terceira.

No início, o ator e o psicólogo tentavam não se misturar. O psicólogo dá consultas e tem uma seleta lista de pacientes, mas prefere não divulgar publicamente seus serviços nos canais do ator. “As pessoas vêm por indicação”, conta.

Leonardo não se incomoda quando atrai curiosos, que buscam consultas com certo deslumbre na figura que esteve na televisão por tantos anos. Ele, no entanto, frisa: “Se ele veio porque quer ver o artista, ele vai ver esse artista em uma função de terapeuta, é diferente. Ele pode me perguntar: ‘como é a Deborah Secco?’. Eu posso devolver: ‘Isso te chama atenção por quê?’. A gente vai olhar para a cabeça dele.”

LEONARDO MIGGIORIN DE VOLTA ÀS NOVELAS? ATOR COMENTA EXPECTATIVA DO PÚBLICO

Zezinho, de “Presença de Anita”, Rodrigo, de “Mulheres Apaixonadas”, Shaolin, de “Senhora do Destino”... Leonardo acumula personagens de sucesso na televisão, que eternizaram sua figura no imaginário de muitos brasileiros.

Ele não é exceção no fenômeno que atingiu a classe na última década. Sem contratos longos e com papeis mais escassos na TV, o intérprete encontrou novas possibilidades de expansão no streaming. No ano passado, foi visto como Rafuda no fenômeno “Beleza Fatal”, da HBO Max. “Graças a Deus, eu nunca parei de trabalhar, estou sempre circulando”, celebra.

O ex-astro da TV Globo compreende que esses trabalhos não atingem o mesmo volume de público que a TV aberta e reage com bom humor quando recebe pedidos para voltar para as novelas. “Eu também estou torcendo para eu voltar. Eu digo: ‘torce aí, espera um novo personagem’. Eu brinco: ‘manda um carta para a Globo’. A gente vive hoje um momento de muita nostalgia também. Todos os dias, é muito impressionante, eu ouço alguém falar de um personagem que eu fiz há duas décadas."

Apesar do carinho com seu histórico, reforça: “Eu também tenho saudade desses personagens e convivo com eles. Mas eu quero os novos projetos.”

É nesse turbilhão de sentimentos entre a nostalgia de papeis consagrados e o anseio pelo novo que Leonardo, um artista LGBTQIAPN+ que, na adolescência, precisou ouvir que era melhor esconder a sexualidade para não atrapalhar sua carreira, encontra finalmente espaço para expressar sua arte de forma mais autêntica.

“Não preciso me esconder, não preciso fingir que sou outra pessoa, coisas que eu já precisei fazer pela sobrevivência, pelo medo de ser aniquilado ou cancelado. Hoje, me sinto mais autêntico, mais espontâneo e mais alegre. Apesar de não estar em um projeto de grande projeção, eu posso estar amanhã. Eu voltei a ter fé. Essa carreira é longa e vai me trazer muitas alegrias ainda, se Deus quiser e se eu conseguir superar dificuldades emocionais que atrapalham a vida da gente. A gente não vive como a gente quer, a gente vive como a gente consegue.”

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Por Matheus Queiroz | Notícias dos famosos, TV e reality show
Jornalista por vocação, apaixonado por música, colecionador de CDs e neto perdido de Rita Lee.
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