A influenciadora Clara Maia perdeu Túlio, um dos bebês que estava esperando, após um parto emergencial na 27ª semana da gestação. O segundo filho, Theo, está na UTI e, segundo a mãe, está “lutando pela vida”. Nesta terça-feira (23), a esposa de André Coelho revelou que o óbito ocorreu em decorrência da Síndrome de Transfusão Feto-Fetal (STFF).
Também conhecida como Síndrome da Transfusão de Gêmeos, a condição ocorre quando os bebês gêmeos compartilham uma única placenta. Os casos são raros, cerca de 10 a 15% das gestações gemelares monocoriônicas são afetadas, e as causas ainda são desconhecidas.
A STFF é uma doença da placenta onde os gêmeos se tornam doador ou receptor. O gêmeo doador produz menos urina que o necessário, o que resulta em quantidade de líquido amniótico aquém do esperado e baixo crescimento fetal. Já o gêmeo receptor tem mais urina do que o normal. A quantidade excessiva de líquido amniótico causa crescimento na bexiga e sobrecarrega o coração, o que gera insuficiência cardíaca.
“Sem tratamento, essa condição pode ser fatal para um ou ambos os gêmeos. Nesse tipo de gravidez, ocorrem conexões anormais de vasos sanguíneos na placenta da paciente. O sangue flui de forma desigual entre os fetos, transfundindo sangue de um pra outro. Um gêmeo, chamado de doador fica desidratado enquanto o outro gêmeo, chamado de receptor desenvolve pressão alta”, explica Flávia do Vale, professora de Obstetrícia da Universidade Federal Fluminense (UFF), em nota enviada à imprensa.
Existe tratamento para a STFF, mas os protocolos variam de acordo com a evolução da gravidez e a gravidade do quadro. O prognóstico é melhor quando a síndrome se desenvolve após 20 semanas de gestação.
“Quando os fetos são afetados apenas levemente pela STFF, podemos recomendar uma redução do volume para drenar o excesso de líquido amniótico do saco do gêmeo receptor. Se a redução não funcionar, os pacientes podem ter a opção de prosseguir com a fotocoagulação fetoscópica seletiva a laser (SFLP), conhecida como cirurgia a laser”, completa Flávia.
Clara descobriu a síndrome de forma aguda, o que impossibilitou as chances de uma cirurgia. “No nosso caso, ela foi aguda, isso significa que foi uma hora pra outra. Não tivemos nem chance de tentar a cirurgia a laser. Todos os exames estavam perfeitos e fazíamos ultra a cada duas semanas. Acompanhando bem de perto", lamenta a influencer.
No caso de Clara, Túlio foi o receptor e Theo, o doador. "Túlio foi o receptor e nasceu com 995g, com o coração muito sobrecarregado, não resistiu. Theo foi o doador, nasceu com 680g. Está na UTI lutando pela vida”, contou a influencer.