O Padre Marcelo Rossi ganhou notoriedade em 1998 e passou a ser disputado pelas equipes de produção dos mais variados programas de TV da época. Entre eles o "Domingo Legal", onde reapareceu no último final de semana em emocionante participação ao lado da funkeira Lexa.
E foi no final daquele ano que o religioso, que vem chamando atenção pelo antes e depois e o corpo "bombado", se envolveu em uma grande polêmica por conta de fala durante reportagem do "Fantástico". Em 28 de dezembro, o Padre Marcelo foi aguardado no Ministério Público de São Paulo para prestar depoimento em um inquérito sobre "supostas declarações discriminatórias contra os homossexuais" que teria feito no programa da Globo no dia 22 do mês anterior.
O jornal "Folha de S. Paulo" noticiou em novembro de 1998 que Paulo Tavares Mariante, representante da coordenadoria do Grupo de Ação pela Cidadania Homossexual, disse que padre Marcelo teria dito que "homossexualismo é uma doença". A acusação negada pelo religioso.
"Pelo amor de Deus, eu nunca diria que a homossexualidade é uma doença. Não sou médico, sou padre", afirmou à publicação em 25 de novembro. "O padre nega que tenha dito isso e apresentou a fita original, onde comenta que 'se um dia for provado que homossexualismo é doença serão mudados muitos pensamentos'", escreveu reportagem do mesmo jornal naquele dia.
Dias antes, no dia 4, ao "Sem Censura", então exibido na TVE (hoje TV Brasil"), o Padre Marcelo declarou, segundo o "Estadão": "Ninguém provou que o homossexualismo é uma doença (...). É um estado de vida". O jornal disse ainda que na época, Padre Marcelo considerou esse "estado de vida" situações como ausência paterna ou superproteção materna: "Tento levar os homossexuais a entender isso".
Embora esperado no fim de 1998 no MP, o religioso que causou revolta no Grupo de Ação pela Cidadania Homossexual não compareceu. Então advogado de Rossi, Diogo Rodrigues Filho alegou que seu cliente não esteve no MP porque o processo estava "sub judice" após "recurso no Conselho Superior do Ministério Público para suspender o inquérito civil".
"Como ele prefere omitir-se, terei de decidir se abriremos ação civil pública sem ouvir sua defesa", afirmou o promotor José Marcelo Menezes Vigliar. E não é que respingou na Globo? Vigliar estudou a hipótese de intimar Luis Nascimento, então diretor-geral do "Fantástico" para comparecer ao MP. "Queremos saber se o programa tem ou não alguma orientação para evitar a veiculação de mensagens discriminatórias porque a televisão tem grande responsabilidade social", justificou.