A Disney conseguiu transformar muitos contos de fadas em clássicos do cinema. No entanto, o estúdio precisou “passar a tesoura” ao adaptar algumas dessas histórias, já que várias delas têm origens bastante macabras!
É o caso de um dos filmes que se tornou um dos maiores clássicos da casa do Mickey Mouse: “Branca de Neve e os Sete Anões” (1937). O conto original é obra dos irmãos Jacob e Wilhelm Grimm e traz elementos como canibalismo, um desfecho repleto de violência e uma protagonista com apenas sete anos de idade.
Se você se lembra da versão da Disney, a Rainha Má manda um caçador assassinar sua enteada, Branca de Neve, por ela ser mais bonita do que a própria rainha. O homem encarregado do crime não consegue cumprir a missão e a jovem - já uma adolescente no filme dirigido por David Hand - encontra refúgio em uma casa no meio da floresta, habitada por sete anões.
Ao descobrir que Branca de Neve continua viva e onde está escondida, a Rainha Má se disfarça de idosa e lhe oferece uma maçã envenenada. A jovem morde a fruta e cai em um sono profundo, até que um príncipe chega e a desperta com um beijo.
A história original tem muitos pontos em comum com o filme de animação, mas a Disney eliminou os elementos mais sombrios. Na versão dos irmãos Grimm, a Rainha Má ordena ao caçador que, ao matar Branca de Neve, retire seus pulmões e seu fígado como prova de que ela realmente morreu! No entanto, o caçador entrega à vilã os pulmões e o fígado de um urso. A rainha manda cozinhar os órgãos e os come acreditando que pertencem à enteada. Meu Deus!
Esse ato de canibalismo - ainda que, tecnicamente, sejam órgãos de um animal, e não de um ser humano - não passou pelo crivo da Disney.
Outra mudança significativa é a idade da protagonista. Na história original, Branca de Neve tem apenas sete anos. Já no longa-metragem de animação, ela é retratada como uma adolescente.
Por fim, a Disney também alterou completamente o desfecho da história. No conto original, quando Branca de Neve e o príncipe se casam, eles convidam a Rainha Má para a cerimônia. Como punição, a vilã é obrigada a calçar sapatos de ferro em brasa e dançar com eles até morrer.
“Branca de Neve e os Sete Anões” foi um lançamento histórico no fim dos anos 1930. Naquela época, a animação ainda dava seus primeiros passos, e o filme se tornou uma das obras mais influentes do gênero na história do cinema, marcando o início da era de ouro da animação.
No ano passado, a Disney lançou o remake em live-action do clássico. Rachel Zegler interpretou a princesa protagonista, enquanto Gal Gadot deu vida à Rainha Má. Dirigido por Marc Webb, o longa foi um fracasso de bilheteria: com um orçamento estimado entre US$ 240 milhões e US$ 270 milhões, arrecadou apenas US$ 205,6 milhões em todo o mundo.
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