Michelle Bolsonaro quebrou o silêncio após a prisão preventiva do marido na manhã deste sábado (22). Em um comunicado divulgado no Instagram, a ex-primeira-dama soltou versículos bíblicos, criticou “a justiça humana” e relembrou o atentado sofrido pelo político na corrida eleitoral de 2018.
“Nós não vamos desistir da nossa nação. Confio na Justiça de Deus. A justiça humana, como temos visto, já não se sustenta... Mas sei que o Senhor dará o Escape, assim como fez em 2018, quando meu marido foi vítima de uma facada, planejada para matá-lo, por um ex-militante psolista”, iniciou Michelle.
A ex-primeira-dama diz que Jair Bolsonaro “traz sequelas até hoje por causa desse episódio”. “Em Deus ele é forte. Ele é grande, e eu o amo muito. Não o deixarei desistir do propósito que o Senhor confiou a ele”, completou.
Michelle não estava em casa quando Bolsonaro foi preso. Ela está em Fortaleza e era presença confirmada em um encontro do PL Mulher. A ex-primeira-dama cancelou a participação e aguarda voo para retornar a Brasília.
“Agradeço de coração a compreensão e o carinho de todos. Seguimos em oração. O Brasil precisa da nossa intercessão”, disse Michelle após cancelar participação no evento.
Bolsonaro foi condenado a 27 anos e três meses pela tentativa de golpe após as eleições de 2022, mas a prisão deste sábado (22) não tem relação com esta condenação. Neste caso, o prazo dos recursos ainda está aberto.
Bolsonaro foi preso para garantir a ordem pública. O motivo? Na noite desta sexta-feira (21), o senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) convocou uma vigília na frente do condomínio do pai.
Na decisão do ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF), a atitude “indica a possível tentativa de utilização de apoiadores para obstruir a fiscalização das medidas cautelares e da prisão domiciliar”.
Moraes acusa Bolsonaro de tentar violar a tornozeleira eletrônica. O Centro de Monitorização Integrada do Distrito Federal comunicou ao STF que o aparelho apresentou uma tentativa de violação às 0h08 deste sábado (22).
“A informação constata a intenção do condenado de romper a tornozeleira eletrônica para garantir êxito em sua fuga, facilitada pela confusão causada pela manifestação convocada por seu filho”, destacou Moraes.
Moraes também alega que o condomínio de Bolsonaro fica a apenas 15 minutos de carro do Setor de Embaixadas Sul, em Brasília, o que facilitaria uma fuga. “Rememoro que o réu, conforme apurado nestes autos, planejou, durante a investigação que posteriormente resultou na sua condenação, a fuga para a embaixada da Argentina, por meio de solicitação de asilo político.”