Moacyr Franco, um dos maiores nomes do meio artístico brasileiro, completa neste domingo (5), 89 anos. Mineiro de Ituiutaba, o cantor, compositor, ator, autor, redator, apresentador e humorista ganhou seu primeiro concurso aos 17 anos. Com uma carreira de mais de sete décadas, o pai de seis filhos, sendo os caçulas nascidos quando o artista já era sexagenário, já trabalhou nas extintas TVs Rio, Tupi e Excelsior.
O "Moacyr Franco Show", clássico programa de variedades, passou pelas duas últimas e também pela Globo, Record, Band e SBT, onde substituiu Silvio Santos (1930-2024) no "A Mulher é Um Show", e estrelou "Ô...Coitado!" e "Meu Cunhado", além de ter integrado o elenco de "A Praça é Nossa" e de novelas. Isso só para citar alguns trabalhos.
Compositor de clássicas músicas como "Eu Nunca Mais Vou Te Esquecer" e "Seu Amor Ainda é Tudo", Moacyr Franco admitiu arrependimento por ter arriscado uma sociedade em empreendimento imobiliário em entrevista de agosto de 1997, quando relatava morar de aluguel e voltava a ter um programa para chamar de seu, o "Concurso de Paródias".
"Quebrei a cara", resumiu ao "O Globo" o artista, responsável por apelidar Silvio de "Joaquim", antigo proprietário de mansão milionária no Rio, desfeita para pagamento de dívidas.
Naquela entrevista, Moacyr admitiu que "poderia ter ficado rico", porém "gastava tudo o que recebia", negando que queimasse dinheiro com bebida ou jogos. "Gosto de viver bem, de viajar, de comer do bom e do melhor. Gastei muito dinheiro, eduquei bem os meus filhos, alguns estudaram na Europa. Nunca fiz loucuras na vida, a não ser gostar de mulher", enumerou o mineiro, que ainda nos anos 1990 teria um desentendimento com Gorete Milagres, sua parceira na TV.
Por outro lado, afirmou que o envolvimento com política foi um erro. "Andei fazendo burradas, uma das quais foi me meter em politica. A politica foi uma perda de tempo e de dinheiro! Um dos maiores erros de minha vida", confessou o ex-deputado federal por São Paulo na década anterior.
Moacyr classificou ainda a não dedicação total à música - gravou quase 40 álbuns - como outro erro na vida. "Entrei de sócio num empreendimento imobiliário na Ilha Comprida, no litoral Sul de São Paulo, e quebrei a cara novamente. Perdi tudo que tinha. Tive que vender uma casa no Morumbi para pagar o Imposto de Renda. Imagine! No pais da sonegação! Vendi outra de US$ 2 milhões no Rio, para pagar dividas. Além disso, não devia ter me dedicado tanto à televisão", lamentou-se.
O artista ainda recordou ter feito uma proposta para dividir programa com Erasmo Carlos (1941-2022), Roberto Carlos e Ronald Golias (1929-2005). "O Roberto olhou com atenção, balançou a cabeça e me disse com aquela sua querida voz fanhosa: 'Moacyr, nosso negócio é música, não é televisão. Vai para o México gravar no mercado latino-americano e ganhar dinheiro'", repetiu.
"Eu não fui, ele foi. Conclusão: ele ficou rico e eu, infelizmente, fiquei duro", prosseguiu o na época proprietário de fazenda de Goiás - não há informações se este imóvel segue no patrimônio do artista - que estava retornando à TV por insistência do filho mais famoso, Guto Franco, intérprete da Dona Guajarina na "Praça é Nossa".