Cristiano Ronaldo vai se juntar a Lionel Messi em recorde histórico nesta tarde (17, 14h) se entrar em campo por Portugal contra a República Democrática do Congo na estreia das duas seleções na Copa 2026. Aos 41 anos, com oito gols no torneio, e dono de uma longevidade impressionante, CR7 é um dos pouquíssimos "quarentões" convocados para o atual Mundial.
No caso do português, o sexto de sua carreira. Desde 2006, Cristiano Ronaldo busca o título inédito de Portugal em Copas, porém a melhor colocação foi um quarto lugar naquele mesmo ano na Alemanha. Hoje no Al-Nassr (Arábia Saudita), o craque português foi submetido a uma cirurgia no coração quando tinha 15 anos.
A operação decorrente de uma taquicardia quando interrompeu para sempre a carreira promissora de CR7, que vê no sono o grande segredo para ficar tanto tempo nos gramados. "Seus batimentos ficavam muito elevados quando fazia esforço. O Sporting me fez assinar alguns papéis para que ele fosse operado em Lisboa. Fiquei muito assustada, pois não sabia o que ele tinha e temi que ele não pudesse mais jogar futebol. Porém, o tratamento correu muito bem e ele pôde voltar", contou a mãe, Dolores Aveiro, ao "The Sun".
E para sabermos um pouco mais dessa anomalia, o Purepeople conversou o cardiologista e especialista em Estimulação Cardíaca Artificial dr. Roberto Yano.
Primeiro é importante explicar que a taquicardia supraventricular (TSV) é uma arritmia cardíaca originária acima dos ventrículos, nos átrios ou nas vias de condução elétrica que os conectam aos ventrículos. A alteração faz o coração bater aceleradamente e descontroladamente. "Podendo atingir 150, 200 ou até 300 batimentos por minuto", explica o cardiologista.
O diagnóstico vem através do eletrocardiograma, exame fundamental nesses casos. "Quando a crise não é captada, recorremos ao Holter, que monitora o ritmo por 24 a 48 horas, ou ao looper, um monitor de eventos disponível em versão externa, fixada na pele, ou implantável sob a pele, capaz de registrar o coração continuamente por até três anos, funcionando como um vigia permanente de qualquer alteração elétrica. Em casos mais específicos, o estudo eletrofisiológico, que mapeia com precisão os circuitos elétricos do coração, é o caminho mais indicado", detalha.
Os pacientes com TSV apresentam palpitações intensas de início súbito, levando à sensação de disparo do coração, tontura, desconforto no peito e falta de ar. "Em casos mais graves, pode chegar ao desmaio", alerta Yano, acrescentando que a doença cardíaca pode surgir em qualquer momento da vida, seja na infância ou adolescência.
"Mas não é incomum que a arritmia surja na vida adulta, de maneira completamente inesperada, em pessoas que jamais apresentaram qualquer sintoma anteriormente. Por isso, não devemos associá-la exclusivamente ao público jovem", adverte. E como é realizada a cirurgia, que tem duração entre 1h e 3h?
"O procedimento indicado nesses casos é a ablação por cateter, e vale dizer que, tecnicamente, não se trata de uma cirurgia aberta. É uma intervenção minimamente invasiva, na qual cateteres são introduzidos por uma veia da virilha e conduzidos até o interior do coração. Lá, o circuito elétrico responsável pela arritmia é identificado e eliminado com energia de radiofrequência ou crioablação. É um procedimento seguro, realizado sob sedação ou anestesia geral, mas que exige uma equipe altamente especializada em eletrofisiologia", detalha o profissional.
© Getty Images, Megan Briggs
Normalmente, a internação dura somente 24h e em uma semana o paciente já é liberado para atividades leves. E de duas a quatro semanas para aquelas de alta intensidade. "Sempre condicionada à avaliação clínica e à confirmação de que o procedimento foi bem-sucedido. O acompanhamento médico após a ablação é essencial para garantir que a arritmia não volte a se manifestar", afirma Yano.
A taquicardia supraventricular "não tem uma causa genética claramente identificada, portanto, não é hereditária no sentido estrito da palavra", segundo o cardiologista. Contudo, alguns quadros apontam para uma certa predisposição em pessoas da mesma família. "Por precaução, sempre oriento que parentes próximos de pacientes diagnosticados realizem uma avaliação cardiológica. O histórico familiar é um dado que nunca deve ser ignorado na consulta médica", recomenda.
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