O ator e rapper Xamã, que interpreta Bagdá na novela “Três Graças”, da TV Globo, usou suas redes sociais nesta quarta-feira (29) para se manifestar sobre a megaoperação policial nos complexos do Alemão e da Penha, no Rio de Janeiro, que terminou com 132 mortes, segundo a Defensoria do Rio.
Nos stories de seu perfil, o artista publicou uma frase que rapidamente repercutiu entre fãs e colegas de profissão: “Os bandidos mais perigosos do país não estão na favela, essa foi a maior chacina do Rio de Janeiro”. A declaração do companheiro de Sophie Charlotte, que também faz parte do elenco da novela das 21h como Gerluce, foi interpretada por muitos como uma crítica direta à forma como as ações policiais são conduzidas nas comunidades cariocas.
A manifestação de Xamã veio no mesmo dia em que a Defensoria Pública do Estado do Rio de Janeiro confirmou que a chamada Operação Contenção, realizada nas comunidades do Alemão e da Penha, se tornou a mais letal da história do estado. Segundo a CNN Brasil, o saldo é de 128 civis e quatro policiais mortos, totalizando 132 vítimas.
A ação, que contou com cerca de 2.500 agentes das polícias Civil e Militar, visava cumprir 100 mandados de prisão contra integrantes do Comando Vermelho (CV). Foram apreendidos 93 fuzis, além da prisão de Thiago do Nascimento Mendes, o Belão, apontado como operador financeiro da facção.
Durante a madrugada, moradores relataram à imprensa que mais de 60 corpos foram retirados por populares de áreas de mata do Complexo da Penha, o que acendeu novos debates sobre abusos e violações de direitos humanos nas ações de segurança pública.
Na ficção, Xamã dá vida a Bagdá, o temido chefe do tráfico da Chacrinha, comunidade fictícia criada por Aguinaldo Silva para a novela das nove. O personagem assume o comando da facção após a prisão de Jorginho Ninja (interpretado por Juliano Cazarré) e lidera seus comparsas Vandílson (Vinicius Teixeira) e Alemão (Lucas Righi) com pulso firme.
Bagdá é retratado como um homem calculista e desconfiado, sempre pronto a eliminar quem o trai — especialmente Raul (Paulo Mendes), que vive sob constante perseguição do bando. A performance intensa de Xamã tem sido elogiada pela crítica e pelo público, que destacam sua naturalidade em cenas de confronto e sua capacidade de humanizar um personagem complexo.
Natural da Zona Oeste do Rio, Xamã — que nasceu em Sepetiba e morou lá até os 13 anos antes de se mudar para Campo Grande — conhece de perto a realidade das periferias que hoje servem de cenário para sua personagem na TV. Antes da fama, ele trabalhou como camelô, vendedor de amendoim em trem, entregador e até gerente de loja.
A ascensão de Xamã na música e, mais recentemente, na teledramaturgia, é marcada por discursos sociais contundentes e pela valorização da cultura de rua. O artista tem se consolidado como uma voz ativa quando o assunto é desigualdade e violência urbana.