A cantora e influenciadora Jojo Todynho voltou a ser assunto nas redes sociais nesta terça-feira (28), após publicar um desabafo inflamado sobre a megaoperação policial contra o Comando Vermelho (CV) nos complexos do Alemão e da Penha, na Zona Norte do Rio de Janeiro. A ação, que já soma 64 mortos, gerou ampla repercussão nacional e motivou reações de diversas figuras públicas, mas o posicionamento da ex-Fazenda chamou atenção pelo tom político e pelas informações imprecisas.
Em vídeos e publicações, Jojo afirmou que “nunca foi petista” e criticou duramente a gestão do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT). “Nossos policiais merecem respeito. Estamos à mercê da violência; tenho o maior prazer em proclamar, em alto e bom som, que eu nunca fui petista. É uma vergonha a sociedade brasileira normalizar o caos em que vivemos diariamente. É uma vergonha normalizar o preconceito e a falta de respeito com o outro por ter uma opinião diferente, isso não é democracia”, declarou a artista.
As críticas da cantora vieram acompanhadas de uma acusação falsa contra o governo federal, ao sugerir que o presidente Lula teria negado apoio das Forças Armadas à operação no Rio de Janeiro. O discurso rapidamente ganhou força nas redes sociais, mas foi desmentido por nota oficial do Ministério da Justiça e Segurança Pública, comandado por Ricardo Lewandowski, e publicada pelo Poder360.
Segundo o ministério, “todos os pedidos do Governo do Estado do Rio de Janeiro para o emprego da Força Nacional foram atendidos prontamente”. Desde 2023, 11 solicitações de renovação da Força Nacional de Segurança Pública (FNSP) foram aceitas, com apoio contínuo a operações estaduais e federais. A nota detalha ainda que, apenas em 2025, a Polícia Federal realizou 178 operações no estado, com 210 prisões e apreensão de 10 toneladas de drogas e 190 armas de fogo.
O comunicado também destacou ações conjuntas com o governo fluminense, como as operações Forja, Buzz Bomb e Libertatis, que desarticularam fábricas clandestinas de fuzis e prenderam operadores de drones ligados a facções criminosas. “A missão é a cooperação total entre União e o RJ”, reforçou Lewandowski em reunião recente com o governador Cláudio Castro (PL).
A fala de Jojo Todynho parece ecoar as críticas feitas no mesmo dia pelo governador Cláudio Castro, que acusou o governo federal de “não colaborar” com as forças estaduais. “Já pedimos os blindados algumas vezes e todos foram negados. O presidente é contra a GLO (Garantia da Lei e da Ordem)”, disse Castro em entrevista reproduzida pelo Poder360.
Apesar da declaração, o próprio ministério apresentou dados que desmentem a alegação, mostrando que o Rio de Janeiro recebeu mais de R$ 288 milhões do Fundo Nacional de Segurança Pública desde 2019, além de doações de veículos, drones, coletes e munições. Parte significativa desses recursos, porém, ainda não foi utilizada pelo governo estadual.
Mesmo diante das informações oficiais, Jojo Todynho manteve o tom crítico em suas redes. Em uma nova publicação, a cantora pediu que seus seguidores “acordem” para a realidade. “População!!! Acordem quando essa corda arrebentar, eu não vou esquecer de relembrar vocês, quem veio a público dizer que o amor venceu. Parem de tratar bandeiras como ‘pet de estimação’; aqui cada um está preocupado com o próprio bolso, não com o povo”, escreveu, encerrando o texto com “Fora Lula”.
O posicionamento da artista dividiu opiniões entre fãs e internautas. Enquanto alguns elogiaram sua “coragem de se manifestar”, outros a acusaram de espalhar fake news e politizar uma tragédia. Um dos comentários críticos exemplificou a reação negativa do público: "Ô, Jojo: “Lembrando que o RJ é governado por 20 ou mais anos pela extrema direita, lindinha."