Secura, calosidades e até mesmo pequenas rachaduras são os maiores inimigos dos calcanhares assim que chega o verão e tiramos as sandálias do alto do armário. Muitas pessoas tentam resolver isso com creme hidratante, mas os resultados geralmente não são os esperados.
A dermatologista Ana Molina explicou o motivo: o problema não está apenas na falta de hidratação. Na verdade, ela afirma que, para melhorar os calcanhares rachados, “não basta hidratar, é preciso amaciar a calosidade”, já que essa camada de pele espessada impede que os tratamentos atuem de forma eficaz.
Segundo a especialista, durante os meses de calor, os calcanhares ficam sujeitos a um estresse maior. Andamos mais, muitas vezes descalços, o pó e o atrito se acumulam e, além disso, grande parte das sandálias deixa o calcanhar completamente exposto.
Esse movimento contínuo, batendo contra a sola ao caminhar, faz com que a pele resseque ainda mais e acabe rachando. O resultado é que a pele acaba endurecendo e perde a flexibilidade.
Se o objetivo é recuperar os calcanhares macios, a dermatologista insiste que não serve qualquer creme corporal. O importante é escolher fórmulas que, além de hidratar, ajudem a quebrar essa camada de pele endurecida. Entre os ingredientes recomendados estão a ureia, o ácido lático e outros ativos queratolíticos, capazes de suavizar as calosidades.
Ela também destaca como aliados ingredientes altamente hidratantes e reparadores, como a glicerina, a vaselina, a manteiga de karité, as ceramidas ou até mesmo o ácido glicólico.
O segredo está em fazer com que a pele não apenas receba água, mas consiga recuperar a flexibilidade, eliminando progressivamente o excesso de queratina acumulada. Uma das dicas mais práticas que Ana Molina compartilhou consiste em aproveitar a noite para aumentar a eficácia do tratamento.
Após aplicar uma camada generosa de creme, ela recomenda cobrir o calcanhar com uma meia de algodão ou, se preferir, com filme plástico de cozinha. Essa técnica cria um efeito de oclusão que favorece uma melhor absorção do produto e ajuda os ativos a agirem por mais tempo.
Remover os calos pode parecer a solução mais rápida, mas a dermatologista lembra que é preciso fazê-lo com muita cautela. Sua recomendação é usar uma lixa suave e fazê-lo de forma constante, evitando ferramentas muito agressivas ou lâminas, que podem irritar a pele e agravar o problema.
Além disso, ela insiste que nunca se deve lixar uma rachadura aberta. Nesse caso, menos é mais: pequenas esfoliações regulares oferecem melhores resultados do que tentar remover toda a calosidade de uma só vez.
Nem todas as sandálias afetam da mesma forma a saúde dos pés. Conforme explica a especialista, quem tem tendência a desenvolver rachaduras deve optar por modelos com o calcanhar parcialmente coberto ou, pelo menos, com um bom apoio na parte de trás.
As chinelas e as sandálias totalmente abertas fazem com que o calcanhar bata continuamente ao caminhar, aumentando o atrito e favorecendo o surgimento de novas rachaduras.
Embora a maioria dos casos possa melhorar com esses cuidados, Ana Molina lembra que há situações em que é recomendável consultar um médico. Se as rachaduras forem profundas, causarem dor, sangrarem ou se a pessoa tiver diabetes, é aconselhável consultar um profissional para evitar complicações.
Em suma, as recomendações da especialista podem ser resumidas nesta rotina simples: reduzir o atrito, fortalecer a barreira cutânea e utilizar ingredientes ativos específicos que ajudem a amolecer as calosidades, pois apenas hidratar geralmente não é suficiente.