Já estamos totalmente em ritmo de Copa do Mundo, que este ano contará novamente com Neymar em campo... decisão que, claro, dividiu opiniões nas redes sociais!
E, para além dos dramas envolvendo a vida polêmica de Virgínia Fonseca e Vini Jr., o assunto do momento gira em torno do futebol, da Seleção Brasileira e das histórias marcantes que surgem nessa época.
E já que estamos nesse clima... você sabia que um dos maiores craques da história do Brasil viveu um verdadeiro filme envolvendo sequestro, ameaça à Copa do Mundo e até uma união improvável entre traficantes e policiais? Pois é, minha gente!
Em 1994, Romário ameaçou não disputar a Copa do Mundo após o pai dele, Edevair de Souza Faria, ser sequestrado no Rio de Janeiro. O caso tomou conta do país e virou um drama nacional às vésperas do torneio que acabaria dando ao Brasil o tetracampeonato mundial. Eita! Vamos aos detalhes!
Edevair desapareceu em 2 de maio de 1994, logo depois de deixar o bar Garota do Quitungo, na Vila da Penha, Zona Norte do Rio de Janeiro. Na época, a cidade enfrentava uma verdadeira epidemia de sequestros, com casos famosos dominando os telejornais diariamente. O empresário Roberto Medina, criador do Rock in Rio, por exemplo, chegou a passar 16 dias em cativeiro anos antes. Alguns sequestros no Rio duravam meses.
Enquanto isso, Romário vivia o auge absoluto da carreira! O atacante defendia o Barcelona, era um dos jogadores mais famosos do planeta e chegava para a Copa de 1994 como a maior esperança do Brasil após 24 anos sem conquistar um Mundial. Faltando poucas rodadas para o fim do Campeonato Espanhol, o craque brilhava na Europa e já era tratado como peça indispensável da Seleção Brasileira.
Os sequestradores entraram em contato com a família dois dias depois e pediram US$ 7 milhões pelo resgate, valor considerado tão alto pelas autoridades que investigadores chegaram a classificar a quadrilha como “amadora”.
© Reprodução/Instagram
Revoltado, Romário não se deixou levar pela chantagem. No dia 6 de maio, o craque foi direto, sem medo: "Ou meu pai aparece ou não irei ao Mundial". A declaração foi dada a um jornal de Barcelona, segundo informações da Folha de S. Paulo. "Estou tentando manter a calma", completou o jogador.
Naquele momento, Romário era o grande nome da Seleção Brasileira. O camisa 11 vinha de uma temporada histórica na Espanha, colecionava gols, encantava torcedores e formava, ao lado de Bebeto, a dupla ofensiva mais aguardada da Copa do Mundo. Para muitos brasileiros, imaginar o Mundial sem ele era simplesmente impossível!
E o assunto tomou conta das ruas. Só se falava disso nas esquinas, nos bares, nas casas e nos programas esportivos: o que aconteceria com o pai de Romário? E mais... o que aconteceria com o Brasil sem o principal craque da Seleção?
A resposta veio rápido. Em 8 de maio, seis dias após o sequestro, Edevair foi libertado pela polícia sem que o resgate fosse pago. O cativeiro ficava em Queimados, na Baixada Fluminense.
Anos depois, em entrevista à minissérie documental "Romário - O Cara", da HBO Max, o ex-jogador confirmou que contou não apenas com ajuda oficial durante as buscas. "Pessoas ligadas a mim falaram com traficantes, policiais, vagabundos, com a p*rra toda. Eu queria meu pai em casa", disparou.
Segundo o historiador Joel Paviotti, do canal Iconografia da História, figuras ligadas à segurança pública (como o delegado Hélio Vígio) e ao submundo do crime (como Orlando "Jogador") passaram a procurar os sequestradores após a repercussão nacional do caso.
"A declaração do Baixinho deixou todo mundo em choque. Desde a polícia até o pior dos bandidos, afinal, todo mundo é brasileiro. Nesse momento, começa uma caçada pelos desajuizados que sequestraram o pai do maior craque do país um mês antes da Copa do Mundo", explicou.
Ainda em entrevista à Folha, em 10 de maio de 1994, Romário voltou a agradecer a mobilização e não fugiu do assunto ao mencionar traficantes envolvidos na busca. "Quem não estiver de acordo que me desculpe, mas acho que estas pessoas ajudaram também para um desfecho positivo. Não tive medo. Algo me dizia que meu pai ia se sair bem. Foi até mais rápido do que eu esperava", declarou.
© Getty Images
E depois de toda a tensão... veio a redenção! Com Edevair libertado, Romário retornou à Espanha, foi campeão pelo Barcelona e embarcou para os Estados Unidos para disputar a Copa do Mundo de 1994. O atacante acabou se tornando um dos grandes nomes da campanha histórica do Brasil.
A Seleção Brasileira conquistou o tetracampeonato ao derrotar a Itália nos pênaltis por 3 a 2 após empate sem gols na final. Romário marcou cinco gols ao longo do torneio, decidiu partidas importantes e foi eleito o melhor jogador do mundo pela FIFA naquele ano.
Para muitos torcedores e jornalistas esportivos, o tetra passou diretamente pelos pés do Baixinho. "Agora, mais que nunca, farei o máximo para conseguir o título mundial", prometeu Romário após a libertação do pai. E assim foi feito!
Que história, hein!? Vocês sabiam ou lembravam dessa?
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