Você acorda cheio de entusiasmo, ideias e energia. Sente que transborda vitalidade e que é capaz de conquistar o mundo. Mas, ao fim do dia, sem entender muito bem como, está completamente exausto.
Existem pessoas ao seu redor que drenam essa energia. Pessoas que se alimentam do seu entusiasmo e da sua vontade de seguir em frente. Pessoas que agem como verdadeiros parasitas. Você pode estar vivendo o que o Dr. José Carbonell, psiquiatra, chama de "síndrome do carrapato".
Embora não seja um diagnóstico oficial da psicologia ou da psiquiatria clínica, trata-se de uma metáfora bastante útil para entender certos relacionamentos desequilibrados que mantemos sem nem perceber. Pode ser um amigo, um colega de trabalho ou até mesmo o parceiro ou parceira - e o impacto disso no seu bem-estar emocional costuma ser muito maior do que se imagina.
Quando Carbonell falou sobre a "síndrome do carrapato" em suas redes sociais, ele se referiu basicamente a dois tipos de pessoas. De um lado, estão aquelas que acordam cheias de energia e propósito. Pessoas organizadas, que "gostam de aproveitar a vida e seguir em frente". São ambiciosas, ativas e cheias de vontade. Do outro, estão as pessoas dependentes, "que estão sempre sugando sua energia e sabotando você dia após dia", explica ele.
O que se forma aí é uma relação entre o carrapato e a vítima, marcada por uma absorção emocional constante. Não é um vampiro sugando sangue, mas a lógica é parecida. Você acaba absorvendo as emoções do outro e assumindo responsabilidades que não são suas. O carrapato é como aquele amigo que viaja com você e não faz nada porque sabe que você vai resolver tudo. Nessa dinâmica, você acaba ocupando o papel da vítima.
Como explica Carbonell, o que essas pessoas "dependentes" fazem é se agarrar a você porque "preferem se apropriar da sua energia em vez de gerar a própria". Isso vira um problema sério, porque você passa a sustentar não apenas a sua vida, mas também a dos outros. Esse peso extra é extremamente desgastante, gera estresse e, aos poucos, cria uma tensão emocional que afeta diretamente sua saúde e seu bem-estar.
"Pessoas sob efeito de drogas se aproveitam do fato de você ter mais energia, ser mais organizado e muito mais entusiasmado, para não terem que fazer o trabalho elas mesmas", diz Carbonell. Elas se adaptam para fazer cada vez menos, criando relações de dependência em que uma pessoa só dá e a outra só recebe - algo que, segundo especialistas, "mina o funcionamento saudável e o equilíbrio emocional" do relacionamento.
Esse tipo de comportamento também aparece com frequência no ambiente de trabalho e, como o psiquiatra explica, "elas querem participar dos seus sucessos sem realmente contribuir".
Por isso, como destaca Carbonell, é fundamental saber estabelecer limites. Em muitos casos, a responsabilidade de colocar um ponto final nessa dinâmica acaba recaindo sobre quem está sendo drenado: você. Os limites são uma ferramenta poderosa para preservar a autonomia, mas também ajudam na chamada regulação interpessoal - ou seja, na capacidade de lidar com emoções e relações de forma saudável.
Mesmo quando a pessoa que se apoia demais em você é alguém que você ama, ou quando se trata do início de um relacionamento, é essencial aprender a impor limites. Nem todo mundo que nos ama realmente nos apoia. Algumas pessoas acabam se aproveitando de nós e até nos impedem de avançar, mesmo sem perceber.
Para Carbonell, identificar essas pessoas e estabelecer limites é essencial, "para poder dizer 'Eu te amo e te respeito, mas meus sucessos são meus, minha organização é minha e minha energia é minha'".
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