Correndo risco de voltar para a cadeia, Suzane von Richthofen obteve uma grande vitória na Justiça de São Paulo e foi nomeada inventariante do patrimônio milionário do tio Miguel Abdalla Neto. O médico aposentado foi encontrado morto na própria casa, em bairro nobre daquela cidade, há quase um mês, abrindo uma disputa entre a sobrinha e a prima Carmem Silvia Gonzalez Magnani pela liberação do corpo.
Aliás, Carmem, que alega ter tido união estável com Miguel, acusou Suzane (hoje mãe de uma criança de 2 anos) de furtar bens do imóvel, enquanto que a filha do casal Richthofen afirmou ter retirado da casa um carro. Vale lembrar que o médico já havia perdido os pais, não teve filho e foi responsável por ação na Justiça que tornaria a sobrinha indigna de receber a herança de Manfred e Marísia, assassinados em outubro de 2002.
A ação judicial levou em conta a "preferência sucessória" - ou seja, sobrinhos e parentes colaterais de terceiro grau têm vantagem sobre os primos. No caso, Silvia é parente de quarto grau de Miguel. A decisão foi da juíza Vanessa Vaitekunas Zapater, da 1ª Vara da Família e Sucessões do Foro Regional II de Santo Amaro, relatou a coluna "True Crime", do jornal "O Globo".
Além disso, Suzane foi considerada a única pessoa apta a se tornar inventariante do tio milionário. A irmã de Andreas foi ainda a única a se apresentar de maneira formal como herdeira de Miguel. Vanessa lembrou que a condenação a quase 40 anos de prisão de Suzane não tem relevância sob a definição do inventariante do patrimônio do médico.
Mas nem todas as notícias são boas para Suzane. A filha dos von Richthofen terá que conservar e manter os bens e caberá à Justiça a autorização de venda, transferência ou uso dos mesmos. Enquanto isso, corre outra ação para analisar se Miguel e Silvia tinham, de fato, união estável.
Assim, se mantém o inventário suspenso. Suzane foi presa em novembro de 2002 ao confessar participação no crime. A hoje empresária esperou quase 4 anos para ser julgada e condenada, em julho de 2006. Em 2015, passou a cumprir pena no semiaberto, evoluindo para o regime aberto em 2023.