Em 29 de julho de 1981, há exatos 44 anos, o mundo parava para assistir ao casamento da jovem Lady Diana Spencer, de apenas 20 anos, com o então príncipe Charles, herdeiro do trono britânico. A cerimônia, transmitida globalmente e acompanhada por cerca de 750 milhões de pessoas, não apenas consolidava a imagem de conto de fadas do casal, mas também marcava para sempre a história da moda nupcial. O vestido usado por Diana naquela manhã ensolarada em Londres redefiniu os padrões para noivas e permanece como um dos visuais mais emblemáticos do século XX.
Criado pela dupla de estilistas Elizabeth e David Emanuel, o vestido de tafetá de seda marfim era um segredo guardado a sete chaves. A produção envolveu até jogadas de despiste: pedaços de tecido eram jogados no lixo propositalmente para confundir a imprensa. Quando finalmente foi revelado, o modelo surpreendeu por sua opulência, romantismo e ousadia — um retrato claro da estética dos anos 1980.
O vestido reunia mangas bufantes, gola babada, saia volumosa e uma cauda de 7,6 metros, a maior já usada em um casamento real. O comprimento não era um acaso: David Emanuel queria bater o recorde anterior de 6 metros, e conseguiu. O véu, feito com 140 metros de tule, foi bordado à mão por Peggy Umpleby com lantejoulas de madrepérola quase transparentes, criando um efeito mágico de “pó de fada” sob as luzes.
O vestido ainda trazia elementos carregados de simbolismo: uma renda antiga da rainha Mary como “algo velho”, um laço azul no corpete como “algo azul” e uma ferradura de ouro 18 quilates cravejada de diamantes brancos, discretamente costurada como amuleto de sorte.
Nos pés, Diana usava sapatos de salto baixo (para não ultrapassar Charles em altura) feitos por Clive Shilton, com 542 lantejoulas, 132 pérolas e as iniciais “C” e “D” com um coração pintado na sola. Um mimo romântico que nem chegou a ser visto durante a cerimônia, mas que compunha a aura de encantamento.
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Diana escolheu a tiara Spencer, herança da família materna, para substituir a tradicional coroa da rainha. O design, que data de 1919, era adornado com diamantes em forma de tulipas e estrelas, e havia sido presente de casamento à avó de Diana.
No dia do casamento, um pequeno acidente quase atrapalhou o visual: Diana deixou cair gotas de seu perfume favorito, Quelques Fleurs, no vestido. A maquiadora Barbara Daly teve que improvisar e sugeriu que ela cobrisse a mancha com a mão, como se estivesse apenas levantando a saia para caminhar com mais firmeza.
Temendo vazamentos, os estilistas criaram um vestido reserva, também de tafetá marfim, com babados e silhueta semelhante ao principal. O modelo nunca foi terminado e, segundo Elizabeth Emanuel, nem chegou a ser experimentado pela princesa. Uma foto rara encontrada em 2023 mostra uma funcionária costurando a peça — que desapareceu misteriosamente ao longo dos anos.
Durante os preparativos, Diana passou por uma mudança física drástica. Segundo os próprios estilistas, foi necessário ajustar o vestido cinco vezes, pois sua cintura passou de 66 cm para 58 cm. Mais tarde, a própria Diana revelaria, no livro Diana: Her True Story, que desenvolveu bulimia após o noivado, em meio ao turbilhão emocional causado pela exposição pública e pela complicada relação com Charles e Camilla Parker Bowles.
Apesar disso, no altar, ela exibiu um sorriso tímido e uma imagem de princesa dos sonhos — eternizada não apenas pela grandiosidade do evento, mas pela força simbólica de seu vestido, que permanece uma referência absoluta no universo bridal até hoje.
Quarenta e quatro anos depois, o vestido de noiva de Diana ainda é lembrado como um marco na moda e na história — não apenas pelo luxo e opulência, mas pelo que ele representou: o início de uma era, e o retrato de uma mulher que, mesmo em meio à monarquia, tentou escrever sua própria história.