Uma história de superação coroada no Guinness Book, o Livro dos Recordes, por ter sido o primeiro negro a visitar 196 países ao redor do mundo em tempo recorde. Foram apenas 772 dias de viagem, o equivalente a dois anos e 42 dias fora de casa em um roteiro que começou em 28 de fevereiro de 2022 e se encerrou em 10 de abril de 2024.
Estamos falando de Robson Jesus, 37 anos. "No livro de recordes tinham 150 pessoas que haviam feito isso, todas brancas. Decidi que mudaria isso: ‘vou ser o ‘primeiro negão’ a estar em todos os países do mundo", afirmou ao jornal "O Estado de S.Paulo" após ter o feito reconhecido pelo Guinness. Para ter a façanha registrada, coletou duas assinaturas em cada destino que visitou, somando impressionantes 5.552 assinaturas.
A elas se somaram check-ins de GPS e seis passaportes repletos de carimbos de entrada e saída daqueles 196 países. Mas que tal voltarmos à Favela da Padroeira, em Osasco, cidade da Grande São Paulo, e à infância do influenciador?
Filho de empregada doméstica, teve que dividir uma cama de solteiro com os demais dois irmãos até os 8 anos. Aos 10, conseguiu o primeiro emprego em supermercado ao embalar frangos. Nascia ali o desejo das viagens pelo mundo. Passada uma década, Robson se tornou recepcionista do Hospital das Clínicas, onde foi crescendo profissionalmente até se tornar gestor.
A primeira viagem internacional para Buenos Aires ocorreu aos 28 anos e não demorou muito para tirar o passaporte e o visto americano rumo aos EUA. Uma amiga, então, o questionou porque ele não viajaria pelo mundo todo. "Passei os oito meses seguintes planejando", afirmou sobre topar a aventura.
Após uma década no Hospital das Clínicas, o administrador pediu demissão e vendeu objetos como TV, moto, geladeira e sofá. Àquela altura, Robson já havia feito um estudo detalhado para tirar o plano de conhecer todos os países reconhecidos pela ONU. Juntou uns R$ 100 mil, mais precisava de mais R$ 400 mil.
Então, o brasileiro fez uma lista de 16 fontes de renda que poderia ter dali para frente: de fotógrafo a tradutor. A viagem teve início na Tailândia, onde o "real vale bastante" e o inglês não é muito bem falado. Na trajetória, ficava de cinco a sete dias em cada país, mas poderia chegar a no máximo duas semanas se a nação fosse muito grande ou despertasse um fascínio em Robson.
No planejamento, Robson estipulou cinco metas: provar uma comida local, passar a noite na casa de alguém que morasse em cada país, usar uma roupa títpica, visitar o mercado para ver o que era comprado e se locomover no transporte público. Nessa aventura, passou por 35 países na América e 49 na Europa. Foram outros 14 na Oceania, 44 na Ásia e 54 na África.
Se não pegou a época do ápice da Covid-19, encarou o começo da guerra Rússia x Ucrânia, que levou ao fechamento das fronteiras e à alta do preço do petróleo e das passagens aéreas. "Comecei a viajar em um momento incerto. Tive de improvisar e me readaptar diversas vezes", afirmou Robson.
E se planejava gastar R$ 500 mil nas viagens, lucrou cerca de R$ 1 milhão apenas com o Instagram. "Recebi relatos de pessoas falando que me acompanhar deu vontade de viver. E, para mim, escutar as pessoas falando ‘não desista’, ‘você consegue’, me ajudava nos momentos difíceis", relatou o mochileiro.
Mas qual foi a grande lição que Robson ganhou? "Me tornei mais sensível, humano, tolerante e paciente. Conhecer diferentes culturas, realidades e histórias me ensinou a julgar menos e a tentar compreender mais", garantiu o hoje palestrante, professor de ética, autor do livro "Não Desperdice Seus Sonhos", e que já fez a Caminhada de Santiago de Compostela.