A Copa do Mundo de 2026 já começou a produzir aquelas histórias improváveis que costumam emocionar torcedores ao redor do planeta! Neste domingo (15), a modesta seleção de Cabo Verde - estreante absoluta em Mundiais - parou a poderosa Espanha com um empate sem gols histórico. E o nome do jogo tem nome, sobrenome e uma bagagem de vida gigante: Josimar Dias, o Vozinha.
Aos 40 anos, o goleiro fechou o gol em Atlanta, nos Estados Unidos. Seguro, ele operou milagres que impediram o favoritismo espanhol de entrar em campo, garantindo um ponto de ouro para o país africano. Mas, além do show debaixo das traves, um detalhe atiçou a curiosidade de todo mundo: de onde é que vem o apelido "Vozinha", minha gente?
Quem olhou para o visual experiente do arqueiro de 40 anos e achou que o apelido era piada com a idade, errou feio, viu? Em entrevista à FIFA, o próprio jogador abriu o coração e revelou que o nome carrega as marcas de uma infância longe dos pais.
"O apelido é por causa dos meus avós. Eu nunca vivi com meus pais. Quando nasci, meu pai estava no serviço militar. E minha mãe tinha sempre de trabalhar para alguma coisa. Então sempre cresci com meus avós", contou o goleiro.
Criado pela base da família, ele passava os dias correndo atrás da bola nas ruas de Cabo Verde. O que era só rotina de menino acabou virando sua marca registrada para o mundo.
Na mesma conversa, Vozinha relembrou que, quando criança, encarava os garotos mais velhos do bairro. Marrento e competitivo ao extremo, ele odiava perder e não engolia os carrinhos e pancadas que levava dos maiores.
Como a diferença de idade pesava, o jeito era voltar para casa emburrado... e a molecada, claro, não perdoava!
"Na minha zona os rapazes eram muito mais velhos e eu sempre jogava na rua, levando muita pancada. Jogava muito bem com os pés, era competitivo e rebelde, não gostava de perder. Tomava muita porrada, e sempre quando não conseguia dar o troco ia para casa com raiva, com a cara fechada, e eles ficavam tirando sarro, que eu estava indo reclamar com os avós…", relembrou, com bom humor. A provocação pegou tanto que virou sobrenome profissional.
A caminhada de Vozinha até os holofotes da Copa de 2026 foi pura resiliência. Longe do glamour dos grandes clubes europeus, ele começou no Batuque e passou pelo Mindelense, em seu país natal. Depois, rodou o mundo: jogou em Angola, Moldávia, Chipre e Eslováquia, até desembarcar no GD Chaves, de Portugal, em 2024.
Enquanto carimbava o passaporte, ele se tornava a grande liderança da seleção cabo-verdiana, preparando o terreno para o momento histórico que o mundo inteiro assistiu!
O tamanho da façanha de Vozinha ganha contornos ainda maiores quando olhamos o cenário. Cabo Verde caiu no Grupo H, ao lado de potências como Uruguai, Arábia Saudita e a temida Espanha de Luis de la Fuente, uma das franco-favoritas ao título mundial.
No papel, era o confronto de uma das maiores escolas do futebol contra um país com pouco mais de meio milhão de habitantes estreando na Copa. Na prática, foi o dia em que os cabo-verdianos seguraram a pressão por 90 minutos para arrancar o 0 a 0 mais saboroso de suas vidas. Babado!