O anúncio da saída de William Bonner do "Jornal Nacional" mexeu com o público, colegas e fãs. Depois de quase três décadas no comando do principal telejornal do país e 26 anos também acumulando a função de editor-chefe, o jornalista se despediu do noticiário com emoção, preparando-se para assumir, em 2026, o "Globo Repórter" ao lado de Sandra Annenberg.
A decisão, como o próprio âncora contou, vinha sendo amadurecida há cinco anos, desde a pandemia, e teve como motivação principal mais tempo para a família e uma vida menos intensa no jornalismo diário. Mas o que poucos lembram é que, ainda em 1989, com apenas 26 anos e menos de três anos de Globo, Bonner já tinha clareza sobre como encarar mudanças de rumo na carreira!
Em uma entrevista antiga para a TV Brasil, William Bonner falou sobre as diferenças entre os telejornais da emissora e como cada produto exige uma forma própria de apresentação.
"O que existe é um público para cada telejornal. O 'Jornal da Globo' tem um público mais definido, um público que se tem pelas pesquisas mais sofisticado, mais elitizado. E pelo horário em que entra o jornal, não tem muito sentido a gente dar uma leitura para notícias no estilo hard news típico do 'Jornal Nacional', por exemplo, porque é uma leitura batida, machetada e forte. O texto do 'Jornal Nacional' é diferente do texto do 'Jornal da Globo' e a apresentação, na mesma medida, tem que se dar de forma diferente", disse Bonner.
Na mesma conversa, o jovem jornalista foi perguntado se uma possível saída do "Jornal da Globo" poderia ser interpretada como um rebaixamento. A resposta foi categórica:
"Desde o momento em que você entra na televisão, e no meu caso, como eu praticamente comecei a carreira na Globo - eu tinha 8 meses de telejornalismo quando fui contratado - eu aprendi desde então, que eu não posso esperar que a Globo vá me colocar neste ou naquele jornal por tanto tempo, por menos ou mais tempo. A dança dos apresentadores dentro dos telejornais segue única e exclusivamente a conveniência da emissora. Não faz parte do meu trabalho dizer 'eu sou apresentador do Jornal da Globo' ou 'eu sou o apresentador do Fantástico'. Eu estou apresentando esses dois jornais. Uma saída eventual do 'Jornal da Globo' para um outro telejornal, seja ele qual for, não implica necessariamente nessa interpretação de que eu esteja rebaixado ou que eu esteja sendo promovido. A gente tem que se adaptar ao horário determinado".
Mais de três décadas depois, as palavras de William Bonner ganham novo sentido diante de sua despedida do "Jornal Nacional". Assim como já dizia em 1989, o jornalista continua fiel ao princípio de que sua trajetória não é marcada por promoções ou rebaixamentos, mas pela adaptação às necessidades da emissora e à relação com o público. Que venha o "Globo Repórter"!
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