"Você é brasileiro, então você é ladrão." "Volte para o seu país! Está fazendo o que aqui?". Foi dessa forma absurda e preconceituosa que o produtor executivo Gabriel Victor Tosta Silveira Costa, com passagens por emissoras como TV Globo e Record, afirma ter sido abordado em um hotel de Portugal na última quarta-feira (10).
Em entrevista ao Purepeople Brasil nesta sexta-feira (12), o atual jurado do Grammy Latino denunciou ter sido vítima de xenofobia, ameaças e uma tentativa de agressão na região do Algarve, na cidade de Albufeira. Segundo ele, um homem que se apresentou como proprietário do Luna Clube Oceano teria disparado ofensas contra sua nacionalidade e tentado agredi-lo fisicamente!
"O check-in ocorreu normalmente e, após acomodarmos as bagagens, fomos à praia para almoçar e aproveitar o dia. Retornei ao hotel antes da minha família [esposa, filho e sogros], pois tinha duas reuniões online agendadas com clientes no Brasil", contou o produtor, que atualmente dirige a GNT Productions, empresa focada em eventos e construção de posicionamento profissional.
Ao chegar ao estacionamento, Gabriel percebeu uma situação que chamou sua atenção: um homem estava com a porta do carro apoiada contra o veículo alugado por ele e sua família. "Sem nenhuma intenção de abordá-lo ou causar conflito, tirei uma foto à distância. Aguardei que ele fechasse a porta e entrasse no hotel para então me aproximar e verificar se havia algum dano à lataria", explicou.
Segundo Gabriel, a intenção era acionar a recepção caso encontrasse alguma avaria no automóvel. Para seu alívio, não havia qualquer dano. Ainda assim, o homem teria iniciado uma série de ofensas. "Ele gritou ofensas e difamações contra mim, mesmo sem que eu tivesse dirigido a ele uma única palavra", alegou.
"Inicialmente, ignorei os insultos e continuei caminhando para dentro do hotel. No entanto, ele me ameaçou diretamente: 'Eu sou o dono do hotel, você vai precisar tomar muito cuidado aqui'. Diante da ameaça, questionei a postura dele: 'Você é dono do hotel e está ameaçando um hóspede? Que história é essa?'. Ele continuou com os xingamentos, culminando em ataques xenofóbicos absurdos", relatou.
De acordo com o produtor, foi nesse momento que a situação saiu completamente do controle. Gabriel afirma ter sido chamado de ladrão e alvo de uma série de ofensas relacionadas à sua nacionalidade. "Volte para a sua terra! Você é brasileiro, então você é ladrão. Está fazendo o que aqui em Portugal? Não queremos esse tipo de gente", teria dito o homem.
Gabriel também acusa a direção do hotel de omissão diante do episódio.
"Quando questionei sobre a identidade do agressor, a diretora simplesmente se recusou a responder. Minutos depois, o indivíduo foi até o estacionamento, tirou seu carro da vaga ao lado do meu e parou em frente à entrada do lobby. Ele desceu, veio na minha direção e me empurrou, reiterando de forma autoritária que ele era o dono e quem mandava ali", afirmou.
O produtor disse ter pedido que o homem não o tocasse, mas que a situação teria escalado novamente. "De forma covarde, tentou chutar a minha perna na frente do balcão da recepção", declarou. Foi então que Gabriel acionou o posto policial de Albufeira. "O policial afirmou que enviaria uma viatura, mas a equipe nunca apareceu", lamentou.
Segundo ele, a diretora do hotel também teria adotado uma postura indiferente diante da denúncia. "Ela disse que a polícia não ia aparecer. Além de não oferecer nenhum apoio, foi totalmente omissa. Ela chegou a dizer: 'Vou embora para a minha casa e o senhor se resolva com a polícia, é um problema vosso'", revelou.
O brasileiro registrou o episódio no Livro de Reclamações Oficial de Portugal, mecanismo utilizado por consumidores para formalizar queixas contra estabelecimentos. As imagens do documento podem ser vistas na galeria acima.
"Não houve qualquer pedido de desculpas ou auxílio por parte do estabelecimento. O que eu enfrentei foi pura xenofobia, tentativa de agressão, omissão de socorro e descaso total das autoridades locais", afirmou.
Após o ocorrido, Gabriel também procurou a Hoteis.com, plataforma utilizada para realizar a reserva da hospedagem.
"Eles se recusaram a nos reacomodar em outro hotel. Limitaram-se a reembolsar apenas uma pequena fração do valor pago como um 'pedido de desculpas', sem oferecer qualquer suporte adicional de segurança ou amparo logístico à minha família, que estava vulnerável em um país estrangeiro após sofrer um crime", disse.
Por fim, o produtor afirmou que decidiu tornar o caso público para alertar outros brasileiros.
"Acho que o caso serve como denúncia para que outros brasileiros também não aceitem passar pelo que passei, que busquem ser respeitados. Enquanto eu pude, eu me defendi, dentro do que era correto, e achei um episódio muito absurdo para deixar pra lá", concluiu.
O Purepeople Brasil entrou em contato com o Luna Clube Oceano para obter um posicionamento sobre as acusações relatadas por Gabriel Silveira. Até a publicação desta matéria, não havia recebido retorno. O espaço segue aberto para manifestações.
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