Imagine este cenário: você está pronto para resolver uma questão que te irrita em um relacionamento, mas seu companheiro foge de conflitos a qualquer custo. Parece uma situação banal, comum a muitas relações, mas pode esconder raízes emocionais profundas. Há quem acredite que se trata de uma estratégia para esfriar a cabeça e conversar em um momento mais oportuno, mas também pode ser uma maneira de refletir medo e insegurança.
Esse é o tema de um artigo da psicóloga Macarena Liliana Nuñez, especialista em Terapia Cognitivo-Comportamental (TCC), repercutido pelo jornal argentino La Nacion. A profissional destaca que práticas populares, como o ghosting, são apenas formas de evitar um confronto.
O silêncio vira um mecanismo de proteção, que deixa a impressão de que a pessoa não tem interesse em resolver os conflitos.
O silêncio pode, sim, ser um sinal de autocontrole em algumas ocasiões, mas quem abusa da estratégia pode esconder medos e uma falta de eficácia na resolução de conflitos. A especialista destaca alguns pontos que podem levar uma pessoa a evitar os confrontos.
Um deles é a idade, que gera uma tendência a evitar conflitos. Normas culturais e educacionais, que reforçam a ideia de não contradizer, também podem pesar. Além de sintomas mais clássicos, como insegurança, baixa autoestima, pavor de rejeição e julgamento, medo de perda de relação, traumas com relacionamentos tóxicos e instabilidade emocional.
Manter-se em silêncio e não ser verdadeiro com o que sente trazem consequências a longo prazo. Segundo a psicóloga, alguns dos efeitos colaterais são sentimentos de solidão, comunicação passivo-agressiva, aumento do estresse e falta de limites claros.
Se você quer começar a lidar com desentendimentos de uma forma mais saudável, o primeiro passo é reconhecer as consequências de evitar os conflitos - e perceber que isso também traz dor. Além disso, pode ser necessário buscar apoio de pessoas de confiança ou profissionais, praticar a assertividade e a escuta ativa e planejar como lidar com situações delicadas.
Não se trata de viver sempre em um estágio de confronto. É sobre aprender a distinguir quando o silêncio evita um problema menor e quando se torna um obstáculo para relacionamentos saudáveis.