Rayssa Leal se consagrou tetracampeã do Super Crown neste domingo (07) e terminou 2025 no hall das atletas com maior premiação no skate mundial. No meio desse cenário grandioso, uma cena discreta chamou atenção dos olhos mais atentos. É algo bem rápido, quase íntimo. A medalista do Brasil respirou fundo antes de competir e soltou, baixinho, uma frase de seis palavras “Eu posso, eu consigo, eu mereço.”
Mas por trás desse mantra tão simples existe algo muito maior: ciência, treino mental e uma inteligência emocional capaz de impressionar até especialistas. Frases assim ativam um mecanismo chamado autoeficácia, citado pelo psicólogo canadense Albert Bandura, que basicamente diz o seguinte: quando você acredita que é capaz, seu cérebro trabalha a seu favor.
“A crença de que se é capaz influencia profundamente o grau de motivação, os padrões de pensamento e as reações emocionais", escreveu o especialista em "Self-Efficacy: The Exercise of Control".
A confiança aumenta, a ansiedade diminui e o corpo executa melhor aquilo que já está treinado. É como se o cérebro dissesse: “Relaxa, a gente sabe o que está fazendo.”
E não para por aqui: estudos associados da Universidade da Pensilvânia e do departamento de Psicologia da Universidade da Califórnia mostram que práticas de autoafirmação, como repetir frases positivas e verdadeiras sobre si, mudam a maneira como o cérebro reage à pressão. Essa estratégia ativa áreas ligadas à autoconfiança e reduz o famoso “modo defesa”, que é quando a gente trava por medo de errar.
Até a sensação de merecimento tem base científica. Trabalhos sobre autoestima de pesquisadores da Universidade de Kyoto mostram que sentir-se digno de estar ali ajuda a diminuir a autocobrança e a focar no que realmente importa: executar. É por isso que o “eu mereço” de Rayssa é tão poderoso: ele corta o barulho mental e coloca o cérebro exatamente no estado certo para performar.
No esporte de alto rendimento, esse tipo de ritual é supercomum. Psicólogos esportivos chamam isso de ancoragem mental: pequenas frases ou gestos que ajudam o atleta a entrar no “modo foco” e bloquear pensamentos intrusivos. No caso da nossa eterna Fadinha, é quase como apertar um botão interno que diz: “Chegou a hora.”
Ver uma atleta de 17 anos com essa maturidade emocional não é coincidência: é resultado de muito treino, suporte, experiência e, claro, de uma cabeça que trabalha tão bem quanto o corpo. Além de um desempenho em pistas lindo de ver, agora a gente também vê a força mental por trás de cada manobra.
No fim das contas, Rayssa não falou só por ela. Ela entregou um lembrete potente (e científico!) para todos nós: quando a narrativa interna muda, tudo muda junto. “Eu posso, eu consigo, eu mereço.” E merece mesmo!