Há quase um século, os famosos blocos de Lego atravessam gerações sem perder a relevância. Por trás do império dos brinquedos está uma das famílias mais ricas da Dinamarca: os descendentes de Ole Kirk Kristiansen, fundador da marca em 1932. Entre eles está Sofie Kirk Kristiansen, bisneta do criador da Lego.
Herdeira de uma fortuna bilionária, ela tomou uma decisão, no mínimo, surpreendente: vendeu parte de suas ações para financiar um projeto pessoal, distante do universo dos negócios.
A família Kristiansen ainda controla a Lego por meio da holding familiar Kirkbi, avaliada em 166 bilhões de coroas dinamarquesas, cerca de 133,8 bilhões de reais, em 2023, segundo o site 7sur7.
Naquele mesmo ano, Sofie Kirk Kristiansen decidiu vender parte de sua participação na empresa para o grupo familiar. Como explicou o jornalista Ejlif Thomasen em um podcast, citado pelo Danmarksrigeste, ela tomou uma decisão radical, naturalmente em acordo com a família, ao revender parte de suas ações da Lego para a empresa, recebendo 6 bilhões de coroas dinamarquesas, o equivalente a cerca de 4,56 bilhões de reais na época.
Naquele momento, ninguém sabia exatamente o que ela pretendia fazer com o dinheiro. A resposta começou a aparecer por meio de seus investimentos: em vez de direcionar a fortuna para o luxo ou para o mercado imobiliário, a herdeira decidiu destinar uma parcela significativa de seu patrimônio à preservação da natureza.
Dedicada à defesa do meio ambiente, Sofie Kirk Kristiansen já possuía 3.615 hectares de terras na Dinamarca, principalmente na região da Jutlândia. Foi ali que, há mais de 15 anos, ela criou o parque de vida selvagem Kelund. Atualmente, o local abriga javalis, cervos, corços e uma família de lobos.
Em 2023, ela também adquiriu a propriedade escocesa Strathconon Estates, que se estende por 41 mil hectares. O objetivo, segundo a fundação Earthkeeper, é “recriar condições favoráveis para uma natureza selvagem e autônoma”, eliminando espécies invasoras e transformando antigas áreas de cultivo exploradas em florestas naturais.
Depois, em 2025, a empresária deu um novo passo ao comprar 21 ilhas desabitadas em Papua-Nova Guiné, a mais de 13 mil quilômetros da Dinamarca. As áreas serão preservadas “como um espaço de respiração marinho” dentro da iniciativa Earthkeeper Sanctuaries, ligada à sua fundação. O valor pago pelas ilhas nunca foi divulgado. Ejlif Thomasen, porém, afirma que a estratégia de investimentos de Sofie está longe de terminar.
“É possível ver que ela continua comprando, então ainda há um longo caminho a percorrer antes que tenha gastado todo esse dinheiro e alcançado seu objetivo”, afirmou o jornalista.