Aos 15 anos, esta jovem paraense superou 500 candidatas em superprodução britânica de US$ 42 milhões, morou no Copacabana Palace e cursou universidade TOP 10 em ranking do MEC; hoje tem dezenas de prêmios e é Doutora Honoris Causa pela UFPA
Publicado em 13 de agosto de 2026 às 11:23
Por Hernane Freitas | Colaborador TV e celebs
Amante do universo pop e das celebridades em geral. Não vivo sem música, uma boa xícara de chá verde e te dou as melhores recomendações de doramas.
Aos 15 anos, uma paraense enfrentou 500 candidatas e conquistou Hollywood. Desde morar em um hotel luxuoso a cursar uma universidade de ponta no Rio de Janeiro, sua trajetória é marcada por prêmios, ativismo social e um título inédito
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Algumas carreiras começam por acaso e, anos depois, se transformam em trajetórias marcadas por grandes personagens, reconhecimento e prêmios. No caso de uma atriz paraense, o primeiro passo aconteceu ainda na adolescência, quando um teste para uma superprodução britânica abriu as portas para o cinema internacional. Com o passar dos anos, a experiência se transformou em uma carreira de mais de quatro décadas no teatro, televisão e cinema, além do reconhecimento na área da educação.

Estamos falando de Dira Paes, hoje uma das atrizes mais queridas do Brasil. Nascida em Abaetetuba, no Pará, a artista tem uma trajetória de sucesso com produções como 'Caminho das Índias', 'Salve Jorge', 'Pantanal' e 'Três Graças', além de filmes importantes do cinema brasileiro. Mas alguns dos episódios mais curiosos de sua história aconteceram ainda na adolescência, quando ela sequer tinha certeza de que seria atriz.

Dira Paes foi escolhida entre 500 candidatas aos 15 anos

Nascida em 30 de junho de 1969, em Abaetetuba, no Pará, Ecleidira Maria Fonseca Paes, conhecida artisticamente como Dira Paes, teve o primeiro contato profissional com o cinema ainda adolescente - e tudo começou na escola. Na época, um professor de artes percebeu seu interesse pela interpretação e contou que uma produção internacional estava procurando jovens brasileiras para participar de um filme. Então, Dira decidiu fazer o teste.

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A seleção era para 'A Floresta das Esmeraldas', filme britânico dirigido por John Boorman e lançado em 1985. Em entrevista para o 'Memória Globo', Dir contou que havia cerca de 500 candidatas para o papel e a escolhida foi justamente ela, que mesmo sem experiência interpretou Kachiri, uma jovem indígena.

"Um professor de artes me viu na escola, disse que estavam rodando um filme e achou que se eu fizesse um teste seria aprovada. Cheguei lá e tinham 300 Diras. Fui selecionada e na hora do diretor entrevistar, foi em inglês. Tinha 15 anos. Fiz um vídeo teste e fui selecionada para esse super filme, uma das maiores produções que esse país teve de cinema internacional", contou Dira Paes.

O filme tinha uma produção de grande porte para a época. 'The Emerald Forest', título original, foi lançado em 1985 e teve como protagonistas Powers Boothe, Meg Foster e Charley Boorman. O orçamento registrado para a produção foi de US$ 42 milhões na época, embora a produção não tenha envelhecido com tanta fama.

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Ela morou no Copacabana Palace durante as filmagens

A experiência também levou Dira a viver uma rotina completamente diferente daquela que conhecia no Pará. Ainda adolescente, ela passou algumas semanas hospedada no Copacabana Palace, no Rio de Janeiro, antes de seguir para Londres.

"Morei quatro semanas no Copacabana Palace, depois fui para Londres onde fiz a dublagem. Durante as filmagens filmamos em inglês e em Londres fomos dublar o similar de alguma língua inventada para cobrir esse movimento labial do inglês. (...) Ao voltar para Belém, prestei vestibular para bacharelado em Física e avisei aos meus pais que estava indo para o Rio de Janeiro para ser atriz", contou. 

A participação no filme foi decisiva. Depois de voltar ao Pará e concluir o ensino médio, Dira decidiu deixar a cidade natal para tentar uma carreira artística no Rio de Janeiro.

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Dira estudou em uma universidade que aparece no top 10 do ranking citado do MEC

Já no Rio, a atriz não abandonou a formação acadêmica. Dira cursou Artes Cênicas na Universidade Federal do Estado do Rio de Janeiro, a UniRio, onde se formou. O que poucos sabem, inclusive, é que a instituição é considerada uma das melhores do estado.

No ranking apresentado com base nos Indicadores de Qualidade da Educação Superior do Ministério da Educação, a UniRio aparece na nona posição entre as instituições do Rio de Janeiro, com IGC 4. A lista também reúne UFRJ, UFF, PUC-Rio, Ibmec, UVA, Unigranrio, UniCarioca e Uerj.

A formação universitária veio acompanhada de outros estudos, já que Dira também estudou francês e fez cursos relacionados à preparação corporal e à interpretação. A atriz ainda chegou a cursar Filosofia durante dois anos, mas não concluiu a graduação.

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Um ano depois do filme, a estreia da atriz na televisão aconteceu em 1986, na série 'Carne de Sol', da Bandeirantes. Poucos anos depois, em 1990, veio o primeiro trabalho na Globo, em 'Araponga'.

Do cinema ao sucesso na televisão, teatro e direção

A carreira de Dira nunca ficou restrita à televisão e, mesmo quando passou a trabalhar regularmente em novelas e séries, ela continuou fazendo cinema e teatro. Na década de 1990, com as dificuldades enfrentadas pelo cinema brasileiro após o fim da Embrafilme, a atriz voltou a se dedicar ao teatro. Durante três anos, viajou pelo país com 'Capitães da Areia', adaptação da obra de Jorge Amado.

Quando o cinema brasileiro recuperou sua força, Dira voltou a fazer sucesso com seus trabalhos. Em 1996, foi premiada como melhor atriz no Festival de Brasília por Corisco & Dadá. Anos depois, ganhou destaque em produções como 'Amarelo Manga', 'Dois Filhos de Francisco', 'Baixio das Bestas', 'Meu Tio Matou um Cara' e 'À Beira do Caminho'.

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Na televisão, alguns personagens se tornaram muito conhecidos. Solineuza, de 'A Diarista', Norminha, de 'Caminho das Índias' e Filó, de 'Pantanal', são alguns dos personagens mais lembrados da atriz, que tambem marcou presença em 'Fina Estampa', 'Salve Jorge', 'O Rebu', 'Velho Chico' e outras produções.

Dira Paes recebeu o título de Doutora Honoris Causa da UFPA

Ao longo de mais de 40 anos de carreira, Dira também ampliou sua atuação para outras áreas. Além de atriz, trabalhou como diretora, produtora e apresentadora, alem de participar de iniciativas ligadas aos direitos humanos e à preservação ambiental. A estrela uma das fundadoras do Movimento Humanos Direitos, criado em 2003, e participou de projetos voltados à valorização da cultura amazônica.

Em maio de 2026, a atriz voltou a Abaetetuba e a Belém para receber uma homenagem que marcou sua trajetória: a Universidade Federal do Pará (UFPA) concedeu a Dira Paes o título de Doutora Honoris Causa, aprovado por unanimidade pelo Conselho Universitário, e que reconhece personalidades que tenham contribuído de maneira relevante para a sociedade, a ciência, a cultura ou as artes.

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A cerimônia aconteceu no Centro de Eventos Benedito Nunes, em Belém, no dia 7 de maio. Dira entrou acompanhada por familiares e recebeu as vestes acadêmicas antes de fazer seu discurso, onde dedicou o reconhecimento a pessoas e grupos que considera pouco representados.

"Recebo hoje este título de Doutora Honoris Causa com o coração profundamente atravessado pela emoção, pela gratidão e pela responsabilidade. Esta honraria não pertence apenas a mim. Ela pertence a todos aqueles que caminharam comigo ao longo da vida; aos invisibilizados, aos silenciados, aos povos da floresta, aos artistas populares e aos sonhadores que insistem em florescer mesmo em tempos difíceis", disse.

Dira também relacionou o reconhecimento às suas origens paraenses e à importância da arte como forma de conhecimento: "Eu acredito profundamente que a arte é uma forma legítima de produção de saber. E talvez, por isso, eu queira dizer aqui, com toda humildade, que me sinto também uma doutora dos não doutores".

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