Carl Gustav Jung, pai da psicologia analítica: 'A vida começa aos 40. Até lá, estamos apenas explorando'
Publicado em 26 de maio de 2026 às 10:48
Por Clara Espíndola | Colaborador
Viciada em novela desde criança, Clara é apaixonada por beleza, criada no teatro e troca qualquer programa por uma boa noite de fofoca.
Essa segunda fase da vida não é o início do fim, mas sim uma oportunidade para descobrirmos quem realmente somos
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Tenho que confessar que este ano, em que completei 25 anos, foi o primeiro que realmente me deixou em pânico. Não estou vivendo a vida que esperava e estou passando por um momento difícil. 

Sentia que estava prestes a começar a minha vida e, em vez de ver isso como algo maravilhoso, tinha medo. Mas então li uma frase do pai da psicologia analítica, Carl Gustav Jung: “A vida começa aos 40. Até esse momento, estamos apenas investigando”. Nossa verdadeira história começa quando chega a tarde da vida.

Em seu ensaio “As fases da vida”, Jung escreveu que “sem estarmos absolutamente preparados, damos o passo em direção à tarde da vida”. Essa tarde da vida é o processo da segunda metade, os 40 anos

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“E o pior é que damos esse passo com a falsa ideia de que nossas verdades e ideais nos servirão como até agora”, afirmava ele, acrescentando que “não podemos viver o crepúsculo da vida seguindo o programa da manhã da vida, pois o que era grande pela manhã será pequeno ao entardecer, e o que pela manhã era verdade, ao entardecer terá se tornado mentira”. 

O que Jung defende é que essas duas fases não podem ser iguais, pois “quem adiar para a tarde o que já foi decidido pela manhã pagará por isso com um dano à sua alma”. A primeira fase da vida, essa manhã segundo a metáfora de Jung, dedicamo-la a uma adaptação social, segundo o psiquiatra. 

Ela nos serve para criar uma identidade, construir uma carreira e estabelecer laços com os outros. 

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Mas a tarde nos serve para deixar de olhar para fora e olhar para dentro de nós, porque começa o verdadeiro processo no qual nos construímos. De dentro e sem pensar no que há lá fora.

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É aí que surge a chamada “crise dos 40” ou crise da meia-idade, que nos faz repensar nossa vida, mas que não é uma falha em nosso sistema. É o sistema funcionando exatamente como deve. Jung tinha um nome para o processo que começa nesse momento: individuação. 

Em seus “Tipos Psicológicos”, Jung explica que a individuação é “o processo pelo qual os seres individuais se formam e se diferenciam” e, concretamente, “é o desenvolvimento do indivíduo psicológico como um ser distinto da psicologia geral e coletiva”. Ou seja, é o longo e, às vezes, doloroso processo de nos tornarmos, finalmente, nós mesmos.

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O que eu sentia no início do ano como um fracasso — com aquele relacionamento que não deu certo ou aquela vida que não se parecia em nada com o que eu imaginava aos 10 anos que seria —, para Jung não é uma derrota, mas sim o começo. 

Essa sensação de vertigem é, segundo sua teoria, o sinal de que a tarde chegou e de que algo em você já não pode continuar vivendo como antes. “A vida não vivida é uma doença da qual se pode morrer”, escreveu ele, porque Jung não via o passar dos anos como um momento de decadência, mas como uma oportunidade para se reorientar e viver.

Embora tenha se popularizado como uma frase sua, na verdade a citação “a vida começa aos 40” não aparece literalmente em seus escritos, mas resume fielmente seu pensamento. A partir dos 40, para Jung deixamos de viver de acordo com as expectativas dos outros e iniciamos um processo próprio de autoconhecimento que nos leva a ser mais autênticos do que nunca.

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Perceber que, na verdade, essa segunda fase vital é uma forma de caminhar em direção a uma plenitude mais consciente, me fez perceber que completar 40 anos era, na verdade, a melhor coisa que poderia me acontecer, porque assim, finalmente, posso ser quem realmente sou, sem meias medidas de nenhum tipo. Estou ansiosa!
 

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