Pedro Almodóvar fez das cores intensas e dos personagens cheios de conflitos marcas de um cinema reconhecido no mundo inteiro.
Diretor e roteirista espanhol, ele tornou-se uma das grandes referências do cinema contemporâneo com obras como “Tudo Sobre Minha Mãe” e “Fale com Ela”. Em suas histórias, os ambientes também ajudam a revelar sentimentos e a dar forma ao universo de cada personagem.
Esse olhar artístico acompanha suas escolhas fora das telas. Em entrevista à revista MANERA, publicada em maio de 2025, ele conversou com Gregory Dias Monreal, da Roche Bobois, sobre a coleção que desenvolveu com a marca e sua relação com a decoração.
Ao responder se sua casa se parecia com seus filmes, Almodóvar contou que a intenção de adotar o minimalismo perdeu espaço assim que começou a comprar móveis. Seu prazer estava em poder olhar para as peças, mantendo por perto aquilo que havia escolhido ao longo dos anos.
“Tenho uma casa nova e acho que a comprei mais para decorá-la e colocar todos os quadros que fui comprando ao longo dos anos do que para morar nela”, afirmou.
O vínculo entre decoração e trabalho aparece nas compras: às vezes, o diretor adquire uma peça sem precisar dela naquele momento, imaginando que poderá usá-la em um filme.
O caminho inverso também acontece. Móveis utilizados nas produções passam a integrar sua casa, onde a organização é mais descontraída e nem sempre tão harmoniosa quanto nos cenários. Assim, as peças acompanham o cineasta para além das histórias em que apareceram.
Há ainda uma dimensão afetiva nessa convivência com a arte. Na entrevista, ele contou que observar diariamente uma grande pintura de uma floresta melhora seu humor.
Sua atração pelas cores remonta aos filmes em Technicolor que assistia na infância. Os tons vibrantes daquela época continuaram a inspirar seu trabalho, aproximando suas memórias das imagens que cria.
Em casa, esse prazer visual também encontra espaço entre os objetos com os quais escolhe conviver.