Preciso admitir que sou um pouco obcecada por organização. Principalmente pela parte que fica à vista.
Porque uma coisa é abrir uma gaveta e perceber que ela precisa de uma boa arrumação. Outra, bem diferente, é entrar na sala e encontrar uma manta jogada, as almofadas fora do lugar, vários objetos sobre a mesa e coisas que deveriam estar em outro canto.
E aí vem a contradição: não sou especialmente meticulosa com o que fica escondido dentro de armários e gavetas, mas preciso ter certo controle sobre tudo o que está à vista.
A sala, a entrada da casa, o quarto, a cozinha... E passar boa parte do dia trabalhando em casa também não ajuda.
Quando trabalho remotamente, preciso que o ambiente esteja livre de objetos espalhados para conseguir me concentrar. Se vejo algo fora do lugar, minha atenção se volta para aquela tarefa pendente e, muitas vezes, acabo me levantando para guardar o objeto antes de continuar a trabalhar.
Isso também está relacionado ao fato de que a organização da casa tem muito a ver com a organização da mente.
Um cômodo sem coisas espalhadas transmite calma, enquanto uma superfície cheia de objetos que ainda precisam ser guardados pode provocar justamente a sensação contrária.
Por isso, após aprender alguns truques com um primo expert em decoração, fui incorporando pequenas rotinas que me permitem manter a casa razoavelmente organizada sem precisar dedicar uma tarde inteira à arrumação.
Esta provavelmente é a regra mais simples e também uma das que mais fazem diferença no meu dia a dia. Se algo vai levar menos de um minuto, tento fazer imediatamente, em vez de deixar para depois.
Pendurar um casaco, guardar um livro, jogar um papel fora, fechar uma tampa, levar um copo para a cozinha ou devolver um objeto ao seu lugar são ações tão pequenas que parece não valer a pena se levantar para fazê-las.
O problema aparece quando deixamos dez dessas pequenas coisas para mais tarde: o resultado é o acúmulo e a bagunça.
Por isso, tento seguir uma espécie de regra do minuto. Se termino de tomar café, recolho a xícara. Se uso uma tesoura, ela volta para o lugar assim que termino. E, se passo meus cremes diante do espelho do banheiro, não os deixo sobre a pia durante horas: guardo tudo imediatamente.
Faço o mesmo quando abro uma encomenda que acabou de chegar: tento descartar na hora as caixas de papelão e os plásticos de que não preciso.
Evidentemente, nem sempre consigo manter essas pequenas rotinas de organização em meio à correria do dia a dia. Mas transformá-las em hábito dá à bagunça muito menos oportunidades de crescer.
E, embora possa parecer trabalhoso, depois que você adquire o costume, tudo acontece naturalmente.
Essa prática também ajuda a aproveitar os intervalos. Se estou trabalhando em casa e preciso fazer uma pausa, posso usar esse momento para ligar o robô aspirador, limpar o espelho do banheiro ou arrumar algum cômodo.
Tenho uma pequena rotina antes de me deitar que tento manter mesmo quando estou cansada ou vou dormir tarde: deixar a sala do jeito que gostaria de encontrá-la no dia seguinte.
Antes de ir para a cama, coloco o controle remoto no lugar em que costumo guardá-lo, ajeito as almofadas no sofá e, no inverno, dobro a manta com que me cobri enquanto assistia a uma série.
Depois, guardo a manta em um cesto para que esteja pronta para ser usada no dia seguinte. Também procuro deixar a mesa de centro livre.
Em apenas alguns minutos, deixo a sala arrumada e evito encontrá-la bagunçada no dia seguinte. Na verdade, acho que um dos erros é pensar que, para ter a casa organizada, é preciso passar muito tempo arrumando.
Muitas vezes, bastam cinco minutos de pequenas ações.
A cozinha é um dos espaços em que a bagunça aparece mais rapidamente. Basta deixar alguns pratos sobre a bancada, uma embalagem aberta, uma xícara e algum utensílio para que a sensação mude por completo.
Por isso, tento arrumá-la depois de cada refeição, ainda que seja de maneira bem básica. Os pratos vão para a lava-louças, a bancada é limpa e os alimentos voltam para a despensa ou para a geladeira.
Se cozinhei, procuro não deixar todos os utensílios para o fim: vou guardando e limpando as coisas enquanto preparo a comida.
Com o tempo, percebi que uma das formas mais rápidas de fazer uma casa parecer organizada é manter livres as superfícies que vemos o tempo todo.
A mesa de centro, o aparador da entrada, a bancada da cozinha, a mesa de cabeceira ou a mesa de jantar costumam se transformar em lugares onde vamos deixando coisas sem perceber. Chaves, moedas, correspondências, um carregador, óculos...
E, quando todos esses pequenos objetos acabam reunidos, a sensação visual é de bagunça, mesmo que cada um tenha sua utilidade. Isso acontece especialmente na mesa de cabeceira.
Ela pode acabar acumulando livros, cremes, carregadores, copos, óculos e qualquer outra coisa que usamos antes de dormir.
Em vez de tentar deixá-la completamente vazia, prefiro limitar o que fica em cima dela e, quando preciso reunir vários objetos, usar uma bandeja pequena.
A entrada é outro ponto problemático em qualquer casa. É o primeiro lugar a que chegamos e, justamente por isso, tem grandes chances de virar um espaço de acúmulo.
A bolsa, as chaves, a carteira, os sapatos, o casaco ou a jaqueta... Se não houver um lugar específico para cada uma dessas coisas, elas acabarão ocupando qualquer superfície disponível. Por isso, acho que a entrada da casa precisa ser pensada para além da estética.
Um aparador bonito ajuda, mas também precisamos de algum lugar onde deixar as chaves e as coisas que carregamos nos bolsos. Isso é importante porque, na hora de guardar algo, não precisamos pensar onde colocá-lo: o lugar já existe.
Além disso, não gosto de ter cabideiros nessa área. Quando ficam cheios de casacos, jaquetas e bolsas, eles me passam uma sensação de bagunça. Nesse caso, prefiro guardar essas peças no armário apropriado.
Imagino que isso aconteça na casa de muita gente. Sempre tem alguém que chega e deixa a jaqueta na cadeira da sala, a bolsa na entrada ou a camiseta sobre a cama antes de ir tomar banho. E, se não há ninguém na sua casa que faça isso, é porque essa pessoa é você.
Esses pequenos gestos criam uma sensação de bagunça fácil de evitar: basta não transformar as cadeiras em um armário improvisado.
Se a roupa precisa ser lavada, o melhor é colocá-la diretamente no cesto de roupas sujas. E, se ainda podemos usá-la, podemos guardá-la novamente no armário ou no lugar que reservamos para essas peças.
Moedas, papéis e outros objetos pequenos também precisam ter seu lugar
Há objetos que parecem insignificantes, mas que acabam contribuindo muito para a bagunça visual. As moedas são um bom exemplo. Podemos encontrá-las sobre um aparador, no bolso da calça, em cima da mesa ou em uma gaveta.
Em vez de acumulá-las em lugares diferentes, podemos ter um pequeno recipiente para reuni-las. Podemos fazer o mesmo com determinados papéis, chaves ou objetos pequenos que usamos com frequência.
O segredo é impedir que esse recipiente vire um lugar onde cabe de tudo. Quando cada coisa tem um lugar definido, guardar os objetos deixa de ser uma decisão que precisamos tomar toda vez.
No fim das contas, acho que manter uma casa organizada não significa passar o tempo todo arrumando, mas evitar que a bagunça se acumule. Cada coisa que volta para o lugar na hora certa é uma coisa a menos que teremos de guardar depois.
E, embora reconheça que sou bastante obcecada pela organização do que fica à vista, também aprendi que não é preciso viver pensando nisso.
Com algumas rotinas bem simples, a casa pode permanecer razoavelmente arrumada durante todo o dia. E, no meu caso, entrar em um cômodo sem coisas espalhadas não faz apenas a casa parecer mais bonita: também me ajuda a sentir certa paz de espírito.