Há mais de 40 anos, Madonna fascina tanto por sua carreira musical quanto por seu gosto pela arte e pela encenação.
Ícone do pop, a cantora americana de 67 anos possui várias residências espalhadas pelo mundo, entre elas uma elegante casa em Londres.
Foi justamente nesse imóvel, decorado com molduras, bibliotecas antigas e obras de arte, que ela aceitou receber a equipe da Vogue para uma visita muito pessoal. Logo nas primeiras imagens, o tom está dado:
“Bem-vindos à minha casa em Londres. Vou mostrar alguns dos meus objetos favoritos”.
Por trás dos ambientes refinados, esconde-se sobretudo uma coleção de lembranças que contam sua história, suas paixões e os laços muito fortes que a unem à família.
A primeira parada é o escritório. Embora Madonna confesse que raramente trabalhe ali, o cômodo abriga o que ela considera seu bem mais precioso: o Autorretrato com macaco, pintado por Frida Kahlo em 1940.
Diante do quadro, a emoção é evidente:
“Hoje à noite, quero mostrar a vocês um dos meus objetos favoritos em todo o mundo. É uma pintura que Frida Kahlo fez de si mesma. Ela costumava se pintar com macacos no ombro”.
A artista continua contando uma história envolvendo a pintora e seu marido, Diego Rivera:
“Ela tinha muitos macacos porque os havia treinado para avisá-la quando o marido tivesse dormido com outra mulher. Se ele chegasse em casa depois de ter se divertido com uma de suas modelos, o que ele fazia com frequência, os macacos ficavam agitados...”
Mas, para além dessa história, foi a trajetória de Frida Kahlo que a marcou profundamente. Madonna conta que descobriu a obra da artista quando era adolescente, no Instituto de Artes de Detroit, antes de ficar profundamente tocada ao chegar a Nova York.
“Ela se tornou uma musa eterna para mim”, afirma. Em seguida, continua: “Alguns anos depois, deixei Detroit rumo a Nova York e, enquanto caminhava, notei um cartão-postal com essa pintura. Eram meus primeiros cinco minutos em Nova York, e a primeira pessoa que vejo é Frida! Naquele momento, prometi a mim mesma que um dia teria essa pintura. Onze anos depois, ela foi colocada em leilão, e eu a comprei!”
A tela, que Madonna havia emprestado ao Tate Modern de Londres em 2001, hoje ocupa um lugar central em sua casa.
A visita continua por um corredor transformado em closet. Por falta de espaço, a cantora guarda ali, entre outras coisas, uma impressionante coleção de botas Yves Saint Laurent feitas especialmente para ela na época de Confessions.
“Elas foram feitas para mim há 21 anos, quando lancei Confessions I. Gosto muito delas, resistiram e permaneceram ao longo do tempo. Elas ficam incrivelmente bem em mim e são muito confortáveis para dançar”, explica a estrela.
Mais adiante, no banheiro, os objetos se tornam muito mais pessoais. Madonna mostra um rosário de madeira que pertenceu à sua mãe.
“Minha mãe era muito religiosa, rezava todos os dias”, recorda. “No início da minha carreira, usei muito esses rosários. Para ser sincera, era mais uma homenagem à minha mãe do que ao catolicismo.”
Ela também guarda o perfume favorito da mãe, Fracas, de Robert Piguet: “Sempre que sinto saudade dela, sinto o cheiro dela”.
Entre os outros tesouros estão post-its escritos por sua filha Esther enquanto ela aprendia inglês, e uma caixa de música criada especialmente para Madonna, que toca Bella Ciao.
“Era a música dos partisans italianos que lutavam contra o fascismo durante a Segunda Guerra Mundial e acabou se tornando um hino”, entusiasma-se.
Há ainda muitas esculturas, incluindo uma obra feita por seu filho Rocco.
“Esta foi a primeira que ele fez. Ele me deu de presente no meu aniversário no ano passado e eu comecei a chorar. Gosto quando meus filhos me dão obras de arte. (...) Rocco é um artista talentoso, pinta desde os 15 anos e eu o incentivo a continuar.”
A última parte da visita revela a “sala azul”, inteiramente decorada nessa cor, onde uma segunda obra de Frida Kahlo lembra mais uma vez o lugar essencial que a artista mexicana ocupa na vida de Madonna.
Depois, é hora de conhecer o quarto, onde a estrela surpreende com um grande polvo de pelúcia chamado Octavia, instalado sobre a cama. As mesas de cabeceira, por sua vez, estão repletas de livros antigos.
“Sou fã das primeiras edições de livros, coleciono-as”, explica.
Por fim, um dos objetos mais comoventes é uma manta de crochê confeccionada por sua filha Esther.
“Durante a quarentena, ela aprendeu a costurar e a fazer crochê. Ela me deu de presente no meu aniversário. Essa manta é tão macia, todo mundo quer tocá-la... agora que minha filha joga futebol, ela não faz mais crochê para mim.”
Ao longo dessa visita, Madonna revela um lado muito mais íntimo de sua personalidade. Por trás das obras de arte colecionáveis, das lembranças de sua mãe já falecida e das criações de seus filhos, há uma história na qual a família agora ocupa um lugar tão importante quanto sua carreira extraordinária.