Há clássicos que nunca chegam a desaparecer por completo, mas que, de repente, voltam a estar por toda parte. Foi o que aconteceu com o icônico creme Nivea da lata azul, que, nos últimos tempos, voltou a ganhar destaque graças às redes sociais.
TikTok e Instagram colocaram novamente os holofotes sobre esse produto básico de longa data, mostrando que, décadas depois, ele continua tendo seu espaço entre os produtos de beleza mais procurados.
É verdade que, hoje, busca-se mais do que nunca uma rotina minimalista e produtos versáteis que possam cumprir várias funções. E foi aí que o Nivea de sempre encontrou sua grande oportunidade.
O produto foi abraçado como um verdadeiro curinga de beleza, ao qual se atribuem inúmeros usos, desde tratar rugas até servir como máscara capilar ou mesmo como primer de maquiagem.
Mas, para saber o que há de verdade nesses usos e separar a realidade das tendências que circulam pelas redes sociais, vale ouvir a opinião da farmacêutica Miriam Arenas (@farmatologa), que esclareceu algumas das dúvidas mais comuns sobre esse creme icônico.
Uma delas diz respeito à aplicação no rosto, já que muitas mulheres incorporaram o Nivea da lata azul à rotina de cuidados faciais. Mas será que ele é realmente adequado para usar no rosto?
A especialista esclarece:
"Poder, pode ser usado, mas não seria minha primeira recomendação, ou pelo menos não de forma generalizada. Pode haver peles muito, muito secas, sobretudo em climas frios e secos, com a barreira da pele muito danificada, que se dão bem com ele. Mas isso não significa que ele vá funcionar da mesma forma em todas as peles", explica.
Como sabemos, cada pele tem necessidades diferentes e, por isso, nem todos os cremes funcionam da mesma maneira para todas as pessoas. Com o Nivea da lata azul, acontece exatamente a mesma coisa:
"Por exemplo, para uma pele oleosa, mista ou com tendência à acne, prefiro recomendar fórmulas mais leves, menos oclusivas e com uma composição adequada a esses tipos de pele", afirma a farmacêutica.
O importante, como destaca Arenas, é individualizar.
"O fato de um creme funcionar bem em uma pele não significa que vá funcionar bem em todas. Da mesma forma, o fato de um creme não funcionar em uma pele não significa que não vá funcionar em nenhuma. É importante que a orientação seja individualizada para cada pele", diz.
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O Nivea da lata azul é conhecido por sua textura densa e untuosa, uma característica que já pode dar algumas pistas sobre o tipo de pele ao qual ele pode se adaptar melhor. Ainda assim, continua sendo um daqueles cremes que geram dúvidas sobre sua adequação a todas as pessoas.
"O creme Nivea da lata azul é um clássico de longa data, com uma fórmula emoliente e oclusiva, o que significa que suaviza, reduz o ressecamento e evita a perda de água. Por isso, é indicado para peles secas e muito secas. E, sobretudo, para aquelas regiões com maior tendência à desidratação, como mãos, cotovelos ou joelhos", destaca Miriam.
A farmacêutica faz uma ressalva.
"Peles que não são tão secas também podem usá-lo. Mas talvez ele seja denso demais para esses tipos de pele, que podem preferir outras fórmulas mais leves e menos pesadas."
Sobre esse ponto, a especialista é muito clara:
"Não, não precisamos evitar determinados ingredientes simplesmente porque são derivados do petróleo", afirma. Por exemplo, "a vaselina e a parafina são ingredientes muito usados em cosméticos e, quando são devidamente purificados, são seguros para a pele", acrescenta.
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Além disso, Miriam também destaca que esses ingredientes têm uma função muito interessante, "porque criam uma espécie de película protetora que ajuda a evitar que a pele perca água e a mantê-la hidratada", afirma.
Algo fundamental para manter a pele hidratada e sem ressecamento, além de proporcionar uma aparência saudável, maciez e sensação de conforto.
“Por isso, mais do que observar se um ingrediente ‘soa bem ou mal’ por causa de sua origem, o importante é seu grau de purificação, suas características toxicológicas e, sobretudo, que ele esteja em conformidade com a legislação europeia de cosméticos. É isso que torna um produto seguro”, esclarece a profissional espanhola.
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No Brasil, os cosméticos devem atender às exigências da Anvisa, incluindo as regras de segurança para os ingredientes utilizados em suas fórmulas.
Não são poucos os comentários que encontramos nas redes sociais de pessoas que afirmam usar o creme Nivea para prevenir ou reduzir rugas. Miriam, no entanto, faz um alerta.
"Eu faria uma distinção entre hidratar e proteger a pele e ter um efeito antienvelhecimento específico. Uma pele bem hidratada pode parecer mais lisa, e as pequenas linhas de expressão podem ficar menos visíveis. Uma pele seca é menos flexível, dobra-se com mais facilidade e apresenta linhas de expressão mais marcadas", explica Miriam.
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A farmacêutica comenta que a hidratação é importante para melhorar a aparência da pele, "mas isso não significa que um creme hidratante ou protetor tenha uma ação antienvelhecimento propriamente dita", esclarece.
"Portanto, eu não esperaria que o Nivea clássico tratasse as rugas nem que estimulasse diretamente a produção de colágeno. Ele pode fazer parte de uma rotina minimalista, mas não substitui os pilares dos cuidados antienvelhecimento, especialmente a fotoproteção, os antioxidantes ou os ativos que promovem a renovação da pele", reforça Arenas.