Com o avanço da idade, a preocupação com quedas passa a fazer parte da rotina de muitas pessoas, especialmente entre idosos. Esse tipo de acidente é um dos principais riscos nessa fase da vida e exige atenção com o equilíbrio, força muscular e mobilidade. Por isso, pesquisadores têm buscado entender quais exercícios físicos são mais eficientes na prevenção desse problema.
Um dos estudos mais recentes sobre o tema vem da Universidade Concordia, no Canadá, conduzido pela doutoranda em ciências da saúde e do exercício Emma Hsiaowen Chen. Em um artigo publicado no The Conversation, ela afirma que, diferente do pilates e da yoga, que são os exercícios mais recomendados para idosos, é a dança que representa os maiores benefícios na redução de quedas.
"Pesquisas realizadas em diversas aulas de dança presenciais têm demonstrado consistentemente uma melhora na estabilidade postural e uma redução no risco de quedas", disse ela, citando um estudo que analisou um grupo específico de mulheres com 65 anos ou mais, em Montreal.
O estudo, publicado no International Journal of Exercise Science, acompanhou participantes durante 12 semanas de aulas de dança online, com sessões de 75 minutos, duas vezes por semana, realizadas via Zoom. As aulas eram inspiradas em movimentos de balé e dança moderna, com acompanhamento de uma assistente para suporte técnico e segurança.
Segundo os pesquisadores, as aulas começavam com um aquecimento inicial de 15 minutos e uma sequência de movimentos como pliés, tendus e exercícios de deslocamento de peso ao ritmo da música. Também eram incluídos elementos inspirados em técnicas de dança contemporânea, seguidos de alongamentos e relaxamento.
O foco estava no controle do corpo durante movimentos simples, como transferência de peso, equilíbrio em uma perna e ajustes no centro de gravidade. Essa combinação, segundo Emma Hsiaowen Chen, ajuda na estabilidade e na prevenção de quedas.
Após seis semanas, o grupo já mostrava uma menor oscilação corporal e melhora no equilíbrio dinâmico. Ao fim das 12 semanas, foi constatado um aumento na força das panturrilhas, medido pela capacidade de ficar na ponta dos pés repetidamente em 30 segundos. Esses resultados impactam atividades básicas do dia a dia, como caminhar, subir degraus ou se movimentar em superfícies irregulares.
A pesquisadora explica que a dança trabalha múltiplos aspectos ao mesmo tempo. Segundo ela, os movimentos exigem precisão e ativam a propriocepção, que é a capacidade do corpo de perceber sua posição no espaço, contribuindo para uma postura mais estável. "Assim, a dança também é um exercício de equilíbrio muito completo", afirma Emma Hsiaowen Chen.
Além dos efeitos no equilíbrio, os pesquisadores também destacaram efeitos positivos da dança no humor, na cognição e no estímulo à caminhada.
O estudo aponta que muitas mulheres enfrentam dificuldades para frequentar aulas presenciais de dança devido a diversos fatores, como deslocamento, responsabilidades ou falta de estrutura. Por isso, as aulas online são uma alternativa viável, permitindo que as aulas sejam feitas em casa e no próprio ritmo.
Para quem deseja começar, a recomendação é buscar aulas de dança suave voltadas para idosos, com movimentos controlados e foco em equilíbrio. O ambiente deve ser seguro, com apoio de cadeiras, paredes próximas e calçados adequados.
Além da dança, a pesquisadora sugere incluir exercícios simples no dia a dia, como ficar em uma perna só por alguns segundos, caminhar apoiando calcanhar e ponta dos pés, praticar equilíbrio com os olhos fechados ou subir pequenos degraus com atenção. A consistência ao longo do tempo é o que garante melhores resultados na prevenção de quedas e na manutenção da autonomia.