No fim dos anos 1980, o grupo Dominó se transformou em um dos maiores fenômenos da música brasileira e levou seus integrantes ao estrelato. Entre eles estava Afonso Nigro, que conquistou uma legião de fãs como vocalista da banda e viveu anos de grande sucesso, mas também enfrentou grandes dificuldades.
Hoje, aos 55 anos, Afonso revelou que precisou vender três apartamentos e dois carros zero quilômetro para quitar dívidas após apostar em uma carreira solo que não alcançou os resultados esperados. O cantor admitiu que cometeu erros importantes ao deixar o grupo.
Em entrevista ao canal Corredor 5, no YouTube, o ex-integrante do Dominó contou que decidiu seguir um caminho completamente diferente após deixar a banda e, segundo ele, a tentativa de se distanciar da imagem construída no grupo acabou prejudicando sua carreira:
"Rolou muito show, mas eu cometi o erro que todo imbecil comete: não cantava as músicas da época do Dominó. Eu estava cabeludo, parecendo o Jon Bon Jovi, usando calça de couro, decidido a cantar as músicas que eu gostava. Foi um erro muito grande. Cuspi no prato que comi. Foi feio, foi besta", lamentou.
Afonso contou que, durante o auge da fama, conseguiu conquistar um patrimônio considerável, embora seus lucros como integrante não era dos melhores. De acordo com o ex-Dominó, que hoje trabalha como produtor musical, cada membro do grupo recebia apenas 10% dos de todos os gerados pela banda.
Apesar dos ganhos limitados, tudo ficou ainda mais difícil depois que ele deixou o Dominó: "É a hora em que vou para o teatro. Já tinha acabado tudo, não tinha mais apartamento, estava com um carro velho. Fui vendendo as coisas. Não conseguia fazer show no Brasil", relembrou.
Criado na década de 1980, o Dominó se tornou um dos grupos de maior sucesso da música pop brasileira, principalmente entre o público adolescente. Com uma sequência de hits e apresentações por todo o país, a banda transformou seus integrantes em ídolos da época e marcou uma geração.
Durante a entrevista, Afonso Nigro opinou que o fato de ser vocalista lhe dava certa segurança dentro da formação: "Eu teria sido limado se eu não fosse o cantor. Seu eu fosse só o bonitinho, eles teriam me limado. Eu tenho certeza, mas eles não podiam perder a voz do grupo. Por isso, eu dava uma abusada".