A fala homofóbica do técnico Abel Braga, do Internacional, gerou revolta durante o programa “Melhor da Tarde”, da Band, nesta terça-feira (02). O apresentador Thiago Pasqualotto não poupou o ex-futebolista após o uso da expressão “time de viado” de maneira pejorativa.
Tudo aconteceu no último domingo (30), quando Abel foi oficialmente apresentado como novo técnico do clube. Ele fez o comentário preconceituoso quando reclamava da blusa rosa dos atletas, utilizada nos campos em outubro como forma de apoio à campanha de combate ao câncer de mama. “Eu não quero a porra do meu time treinando de camisa rosa, parece time de viado”, disparou.
"Ele disse que é uma cor de viado. Pra você ver, um técnico de futebol usando esse termo tão chulo, tão antigo. Esse senhor já deveria ter aprendido alguma coisa na vida dele. Inclusive, em nome da comunidade, eu digo que nem para ser viado o senhor serviria, porque a gente não ia querer um senhor como você na nossa comunidade, não. Um retrocesso", lamentou Thiago.
Chris Flores também condenou a atitude do técnico. “A gente acabou de ver o [Lionel] Messi jogando, a camisa do time dele é rosa, qual é o problema?”, questionou.
Horas após a péssima repercussão do caso, Abel usou seu perfil no Instagram para publicar um pedido de desculpas. “Colorados e coloradas, reconheço que não fiz uma colocação boa sobre a cor rosa durante a coletiva. Peço desculpas. Cores não definem gêneros; o que define é caráter. O Internacional precisa de paz e muito trabalho!”, escreveu.
Abel e o Internacional foram denunciados no Superior Tribunal de Justiça Desportiva (STJD). A ação partiu do coletivo Canarinhos, que reúne diversas torcidas e movimentos formados por torcedores e torcedoras LGBTQIAPN+.
O Canarinhos pediu, em texto divulgado no site oficial, mais compromisso do futebol com a inclusão. “No futebol, parece haver uma cultura de que todas falas homofóbicas, racistas ou machistas podem ser amenizadas com um pedido de desculpas. Contudo, algumas falas e atitudes não são meros deslizes ou ‘brincadeiras’, são manifestações explícitas de um preconceito estrutural que tem consequências reais. Pedir desculpas é apenas o primeiro passo. O que se exige não é apenas a palavra, mas a ação concreta.”