Meik Wiking, pesquisador especialista em felicidade: ‘As pessoas mais felizes no trabalho seguem a regra dos três metros’
Publicado em 31 de agosto de 2026 às 12:33
Por Paula Alves | Colaboradora
Jornalista apaixonada por cinema, streaming e entretenimento. Sempre em busca de boas histórias para contar.
Alcançar o “arbejdsglaede” — ou felicidade no trabalho, segundo os escandinavos — exige algumas atitudes de nossa parte. Mas, se você incorporar este pequeno hábito à rotina, perceberá a diferença
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Na Escandinávia, existe uma palavra que não encontramos em outros idiomas: “arbejdsglaede”. Parece um trava-língua, mas seu significado pode ser traduzido como “felicidade no trabalho”.

O termo resulta da união das palavras “arbejds”, que significa trabalho, e “glaede”, que significa felicidade.

Pode parecer uma quimera, mas se refere, de forma simples, à sensação de estar bem no trabalho: quando você acorda sem sentir vontade de se aposentar assim que o despertador toca avisando que é hora de trabalhar.

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Você gosta do que faz, sente orgulho de seu trabalho e aprecia as pessoas que trabalham ao seu lado, segundo Alexander Kjerulf, autor dinamarquês do livro “Happy Hour Is 9 to 5”.

A felicidade no trabalho não é uma utopia

Parece que estou falando de um unicórnio impossível de encontrar na vida real? Pois, para os escandinavos, isso é uma realidade.

Tão real que, segundo dados do Eurostat, eles estão entre os trabalhadores mais felizes do mundo — dois em cada três afirmam ter um alto nível de satisfação profissional. E o dado mais surpreendente: 58% deles não deixariam de trabalhar mesmo que já não precisassem do dinheiro.

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Mas qual é o segredo? 

Segundo explica Meik Wiking, considerado o homem mais feliz do mundo, pesquisador associado ao Banco de Dados Mundial da Felicidade, membro do conselho consultivo do Relatório Global de Políticas de Felicidade e fundador do Museu da Felicidade, em Copenhague, tudo começa com a regra dos três metros.

Em que consiste a “regra dos três metros”

Como explica Wiking em seu livro recém-lançado, “Hygge Work: Cómo Encontrar La Felicidad En El Trabajo Y En La Vida Cotidiana” (Hygge Work: Como Encontrar a Felicidade no Trabalho e na Vida Cotidiana, em tradução livre), a “regra dos três metros” consiste em assumirmos a responsabilidade pelo que acontece ao nosso redor, como se traçássemos um círculo de três metros de diâmetro.

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Um exemplo para facilitar a compreensão: se um colega de trabalho precisa de ajuda e está a três metros de você, ajude-o. A ideia é nos sentirmos úteis dentro de um espaço limitado.

Isso não significa assumir o trabalho de toda a equipe, mas não nos restringirmos apenas às tarefas que nos cabem. Dentro de um pequeno âmbito, devemos agir como donos e responsáveis por aquele espaço.

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Por que a autonomia aumenta a felicidade no trabalho

Segundo o especialista, parte da felicidade profissional está relacionada à nossa autonomia, e uma maneira de estimulá-la é nos tornarmos responsáveis por esse espaço de três metros.

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Nas palavras de Wiking, essa regra “transmite empoderamento, responsabilidade e independência”, porque, em vez de o chefe precisar vigiar tudo, cada pessoa se responsabiliza pelo que lhe cabe. E o chefe também fica mais livre.

Funciona — pelo menos segundo Wiking. Nos Jardins de Tivoli, em Copenhague, a regra é adotada, e “cada pessoa é responsável por tudo o que estiver ao seu redor em um raio de três metros”, explica.

“Todos devem seguir essa regra, independentemente de serem vice-presidentes ou garçons. Assim, cada funcionário deve agir como anfitrião do parque, solucionar os problemas dos visitantes, manter sua área limpa e se comportar como um bom colega”, dentro desse pequeno raio de três metros, como explica em seu livro.

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De acordo com Wiking, existem alguns princípios fundamentais que fazem do ambiente profissional dinamarquês um dos mais satisfatórios do mundo. Buscar nossa felicidade e, de alguma forma, nos responsabilizarmos por ela é o primeiro passo.

“Sua felicidade no trabalho é sua responsabilidade. Se você quer ‘arbejdsglaede’, não pode esperar que seus colegas ou seu chefe façam alguma coisa. É preciso começar por você mesmo”, explica o especialista em bem-estar.

Isso não deve ser confundido com positividade tóxica nem com a crença, igualmente tóxica, de que “podemos dar conta de tudo”, que apenas provoca frustração em quem a vivencia. A ideia é que, se quisermos ser felizes no trabalho, precisaremos buscar ativamente essa felicidade.

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Outras estratégias para buscar o “arbejdsglaede”

Alexander Kjerulf propõe outras três atitudes para buscar esse “arbejdsglaede”, começando por um “bom dia nível 5”.

Isso significa cumprimentar os colegas de trabalho de maneira calorosa, simpática e alegre, olhando nos olhos deles, conversando e demonstrando que você está contente por passar o dia ao lado deles.

Ele também afirma que, para estimular sua felicidade no trabalho, você pode experimentar um exercício de gratidão: todos os dias, antes de encerrar o expediente, faça uma lista de três coisas boas que aconteceram durante o dia.

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Não importa quanto elas pareçam pequenas; o importante é que tenham ocorrido durante a jornada. Dessa forma, treinaremos nosso cérebro para perceber com mais facilidade os aspectos positivos de nosso trabalho.

No vídeo, o especialista afirma que outra atitude importante é comemorar as próprias vitórias. 

“Quando algo der certo no trabalho, quando você alcançar o sucesso, comemore.” 

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Em vez de se concentrar naquilo que não funciona, volte sua atenção para o que dá certo.

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