'Coração Acelerado' chega ao fim nesta sexta-feira (14) deixando uma sensação agridoce. A novela das sete da Globo chegou com um mix de elemntos de um bom roteiro, incluindo cmance, humor, mistério, ao mesmo tempo que inclui o mundo sertanejo, que está em alta, como pilar central.
Ainda assim, a trama nunca conseguiu transformar todo esse potencial em um sucesso, fazendo com que o telespectador se perguntasse quanto termina.
Mas nem tudo é sucesso, nem fracasso. 'Coração Acelerado' fecha com pontos positivos ao mesmo tempo que deixa lições sérias para as próximas novelas, como 'Por Você', sua sucessora que estreia segunda, dia 17.
Um dos grandes méritos de 'Coração Acelerado' foi trazer de volta rostos que fizeram falta na televisão. O melhor exemplo é Leticia Spiller, que interpretou Janete com personalidade, humor e carisma. A atriz estava distante das novelas desde 2018, quando participou de 'O Sétimo Guardião'.
Leandra Leal também precisava voltar aos folhetins. A atriz que começou cedo na telinha não fazia uma novela desde 'Império', em 2014.
Agrado (Isadora Cruz) e Eduarda (Gabz) disputaram espaço e reconhecimento em um ambiente musical marcado pelo machismo.
A criação de As Donas da Voz dava à novela uma identidade própria e permitia discutir temas como rivalidade feminina, preconceito e as dificuldades enfrentadas por mulheres na indústria musical.
Era uma ideia com bastante potencial e que poderia ter sido ainda mais explorada.
Nem sempre Naiane (Isabelle Drummond) agradou, mas seria injusto ignorar sua importância para a novela. A atriz de 32 anos sabe muito bem explorar personagens chatas, mas carismáticas.
Mesmo com os problemas causados pelo excesso de apresentações, o sertanejo deu a 'Coração Acelerado' uma identidade que a diferenciava de outras novelas das sete.
As autoras Izabel de Oliveira e Maria Helena Nascimento perceberam que o ritmo leve e despretensioso não estava dando certo e trouxe elementos mais dramáticos para fisgar o telespectador.
Entre eles, fortalecer a vida afetiva de Agrado e luta pelo sucesso na carreira, ao mesmo tempo que deu uma pitada mais picante no triângulo Zilá (Leandra Leal), Alaorzinho (Daniel de Oliveira) e Janete.
Esse talvez seja o principal problema. O casal que deveria ser o coração da história nunca conseguiu conquistar completamente o público. Agrado e João Raul (Filipe Bragança) tiveram dificuldades para estabelecer uma química convincente, enquanto o comportamento do cantor muitas vezes dificultava a torcida por ele.
A música era justamente um dos grandes diferenciais da novela, mas acabou se tornando um problema quando ocupava espaço demais. Algumas apresentações pareciam interromper o desenvolvimento da história em vez de fazê-la avançar.
'Coração Acelerado' tinha atores capazes de sustentar boas histórias, mas nem todos os núcleos receberam o desenvolvimento necessário. Cinara (Ramille), Ronei (Thomas Aquino), Esteban (Diego Martins) e Walmir (Antonio Calloni) tiveram bas histórias que não foram desenvolvidas com força total.
E aqui chegamos a uma das maiores bombas da última semana: Ronei revelar que é o pai biológico de João Raul.
As perguntas que ficam são: 'Oi?', 'De quando isso?'. Por mais que a novela apresente uma explicação para o segredo e que a revelação tenha função dramática, ela chegou tarde demais e pareceu pouco conectada ao que vinha sendo construído.
E existe ainda um detalhe que torna tudo mais difícil de comprar: Thomas Aquino tem 39 anos, enquanto Filipe Bragança tem 25.
É claro que estamos falando de ficção e que idade de ator não determina necessariamente a idade de personagem. Mas, visualmente, a diferença também contribuiu para que a revelação não tivesse a força pretendida.
A participação de Paula Fernandes como avó de Agrado foi outra escolha que não convenceu completamente. A cantora precisou interpretar uma personagem consideravelmente mais velha, o que exigiu uma caracterização que acabou chamando atenção justamente por parecer artificial.