Frase do dia de Carl Jung, famoso psiquiatra: 'Preciso ter um lado sombrio se quiser ser completo'
Publicado em 26 de junho de 2026 às 09:59
Por Paula Alves | Colaboradora
Jornalista apaixonada por cinema, streaming e entretenimento. Sempre em busca de boas histórias para contar.
Se você se mostra escondendo as partes de que tem vergonha, está sendo menos autêntico, e sua escuridão acabará por dominá-lo
Veja + após o anúncio

“Como posso ser real se não projetei uma sombra? Devo ter também um lado sombrio para me sentir completo”. Essa frase é de Carl Jung, psiquiatra e pai da psicanálise. E é uma metáfora crua e direta de que, na verdade, se você se apresenta ao mundo como alguém sem defeitos, está sendo menos real e se enganando.

De acordo com a psicologia analítica de Jung, a sombra é um dos principais arquétipos do inconsciente coletivo. “A figura da sombra personifica tudo aquilo que o sujeito não reconhece e que, no entanto, repetidamente o pressiona, direta ou indiretamente”, explicava o psiquiatra.

Essa sombra de que fala Jung não é a escuridão em si, mas tudo aquilo que temos, mas não queremos encarar. Jung chamava de sombra tudo aquilo que não queremos ver em nós mesmos. Desde nossos medos até nossos impulsos ou aqueles desejos que nos envergonham. Esses traços de caráter que consideramos de menor valor.

Veja + após o anúncio
A importância de abraçar seu lado sombrio

A sombra de Jung não é “o mal” no sentido moral, mas simplesmente a sua parte que você rejeitou, reprimiu ou ignorou porque não se encaixava na imagem que queria passar ou que esperavam de você. Mas, segundo o psiquiatra, essa parte negada e ocultada por nós mesmos se torna mais poderosa e governa nossas reações. Ela nos força de maneira direta ou indireta.

Poderíamos dizer, com base nisso, que “prefiro ser um indivíduo completo do que uma pessoa boa”, segundo Jung, porque somente conhecendo e aceitando essa parte sombria que existe em nós podemos garantir que ela não nos domine.

Quanto mais você esconde uma parte de si mesmo, mais poder você lhe dá, e não de forma consciente, mas inconsciente. Jung afirmava que negar esse lado sombrio nos torna mais perigosos, pois, ao não integrarmos essa sombra como parte de nós mesmos, a projetamos para fora.

Veja + após o anúncio

Por exemplo, se negarmos nossa própria inveja, segundo o psiquiatra, a veremos nos outros. Se negarmos um medo, nos tornaremos menos flexíveis, pois o medo nos dominará. Ou seja, não somos vítimas da nossa escuridão, mas da nossa negação dela.

Veja também
Carl Jung, mestre da psicologia profunda: 'A solidão não vem da falta de pessoas ao nosso redor, mas da incapacidade de comunicar coisas'
Por que escondemos partes de quem somos

Essa tendência de nos escondermos é algo humano e uma resposta a um mundo que nos ensinou que nossa totalidade não se encaixava.

Desde pequenos, aprendemos que há certas partes de nós que afastam as outras pessoas (e o amor delas) e que nos impedem de nos encaixarmos. Esse processamento emocional (ou, melhor dizendo, a falta dele) cria em nossa mente uma associação que, de alguma forma, nos obriga a esconder essa parte de nós.

Veja + após o anúncio

Por exemplo, se eu demonstrar medo, me dizem para ser corajoso; ou, se eu ficar com raiva, meus pais também ficam com raiva. Entendemos que essa parte de nós é o problema, então a escondemos para sobreviver emocionalmente.

Com o tempo, começamos a ter uma imagem bastante definida de nós mesmos, com traços específicos que construímos ao longo dos anos; e quando esses traços se contradizem ou não se encaixam na imagem que acreditamos projetar para os outros, nós a escondemos novamente.

Reconhecer que você sente inveja quando acredita que deve ser generoso dói, então é mais fácil não olhar. E a cultura reforça isso constantemente. Por exemplo, nas redes sociais, os lados sombrios dos seres humanos se escondem por trás de imagens luminosas.

Veja + após o anúncio
Aceitar suas contradições é o primeiro passo

Como seres humanos, precisamos entender que todos nós estamos cheios de contradições. Podemos ser gentis e egoístas ao mesmo tempo, pois não existe uma imagem única de nós mesmos. Podemos ser corajosos e sentir medo, e nos sentir seguros em alguns momentos e inseguros em outros.

Aceitar que possuímos esses traços aparentemente mais fracos é recuperar, pouco a pouco, esse território perdido; além disso, “conhecer a própria escuridão é o melhor método para lidar com as escuridões das outras pessoas”, afirmava Jung, pois isso nos torna muito mais empáticos.

O que muda quando você aceita suas contradições

Todos, sem exceção, temos uma sombra. A mensagem central de Jung é que ser completo não é ser perfeito, é ser inteiro. Com luzes e sombras.

Veja + após o anúncio

O psiquiatra dizia, em uma carta particular à sua paciente Fanny Bowditchen, em 1916, que “quem olha para fora sonha, e quem olha para dentro desperta”. Ou seja, precisamos olhar para dentro de nós mesmos e integrar à nossa vida tudo aquilo de que nos envergonhamos, pois também faz parte do que somos.

É quando nos conhecemos de verdade, com as luzes e as sombras, que realmente vivemos.

Últimas Notícias
Últimas Notícias
Tendências
Todos os famosos
Top notícias da semana