Keanu Reeves, aos 62 anos, coloca importante cláusula em contratos de filmes e séries para barrar uso de IA indevido: 'No início dos anos 2000, ou talvez nos anos 90, mudaram uma das minhas atuações. Colocaram uma lágrima no meu rosto'
Publicado em 23 de setembro de 2026 às 16:15
Por Luiz Eugênio de Castro | Reality show, redes sociais e TV
Leonino apaixonado por entretenimento e cultura pop! Filho legítimo de Britney Spears e obcecado pela Anitta, claro!
Keanu Reeves contou que passou a proteger suas atuações após descobrir que uma lágrima havia sido acrescentada digitalmente ao seu rosto sem que ele autorizasse a mudança
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Se tem uma coisa que Keanu Reeves parece não estar disposto a entregar de bandeja para Hollywood é o controle sobre o próprio rosto. Eita! Aos 62 anos, o astro de "Matrix" e "John Wick" mantém uma cláusula em seus contratos para impedir alterações digitais em suas atuações sem sua autorização. E não, isso não nasceu agora, no meio do surto de inteligência artificial que deixa a internet cada vez mais parecida com um episódio de Black Mirror!

A história começou décadas atrás, depois de uma experiência que deixou o ator, no mínimo, com aquela cara de "ué, mas quem autorizou isso?". Em entrevista à Wired, repercutida pelo Business Insider, Keanu contou que passou a colocar a cláusula em seus contratos depois de descobrir que uma de suas performances havia sido modificada digitalmente. O ator não revelou qual foi o filme, mas lembra perfeitamente do que fizeram.

"No início dos anos 2000, ou talvez nos anos 90, mudaram uma das minhas atuações. Colocaram uma lágrima no meu rosto, e eu fiquei tipo: 'Hã?!' Foi como se eu pensasse: 'Eu nem preciso estar aqui'", relatou. É mole!?

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Pois é, minha gente. O homem passou anos fazendo cenas de ação, encarando explosões, levando pancada, desviando de tiro e vivendo em universos completamente malucos... para descobrir que alguém poderia simplesmente sentar na edição e inventar uma lágrima no rosto dele.

Keanu Reeves não quer que tecnologia 'atue' por ele

Na entrevista, Keanu explicou que não tem problema com o processo normal de montagem de um filme. Afinal, edição faz parte do cinema. O que incomoda é quando uma tecnologia começa a fabricar uma atuação que não foi feita por ele, sem que ele tenha participado da decisão. "Eu não me importo se alguém tira uma piscada durante uma edição", afirmou.

O limite aparece quando a alteração passa a interferir na própria performance. "Quando você atua em um filme, sabe que vai passar por edição, mas você está participando desse processo. Se você entra no mundo dos deepfakes, não existe nada da sua visão ali. Isso é assustador", complementou.

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O termo deepfake ganhou força nos últimos anos para descrever conteúdos digitais capazes de substituir ou reproduzir rostos, vozes e performances de pessoas. Em Hollywood, a tecnologia abriu uma discussão delicada: até onde um estúdio pode mexer digitalmente na imagem de um ator? E quem decide quando aquela imagem ainda representa uma atuação real?

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Keanu Reeves passou a carreira inteira brincando com o que é real

Keanu Reeves não é simplesmente o protagonista de meia dúzia de filmes de ação! A carreira do ator parece uma coleção de universos diferentes. Ele começou a ganhar atenção ainda jovem e ficou conhecido mundialmente como Ted em Bill & Ted - Uma Aventura Fantástica, de 1989. Depois, veio uma sequência de trabalhos que ajudou a afastá-lo da imagem de adolescente bobão: Garotos de Programa, Caçadores de Emoção, Drácula de Bram Stoker e Velocidade Máxima.

Em Velocidade Máxima, de 1994, virou astro de ação ao interpretar o policial Jack Traven, que precisa impedir a explosão de um ônibus em movimento. O filme, estrelado também por Sandra Bullock, foi um dos grandes sucessos daquela fase da carreira. Depois vieram O Advogado do Diabo, Johnny Mnemonic e Constantine. Mas aí Hollywood entregou a ele um daqueles papéis que mudam tudo.

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'Matrix' colocou Keanu no centro da discussão sobre realidade

Em 1999, Keanu virou Neo em Matrix. O personagem começa como Thomas Anderson, um programador que descobre que aquilo que considera realidade é, na verdade, uma construção artificial. A partir daí, passa a questionar absolutamente tudo ao seu redor.

O filme das irmãs Lana e Lilly Wachowski virou um fenômeno cultural e transformou Keanu em um dos principais rostos da ficção científica no cinema. Ele voltou como Neo em Matrix Reloaded e Matrix Revolutions, ambos de 2003, e quase duas décadas depois reprisou o papel em Matrix Resurrections, de 2021.

E olha a coincidência, minha gente: o homem que passou décadas interpretando um personagem tentando descobrir o que é real agora está preocupado justamente com tecnologias capazes de criar versões digitais do que parece real!

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E o papo de IA de Keanu vai muito além do próprio rosto

Na entrevista à Wired, o ator também falou sobre a relação da humanidade com a inteligência artificial. Keanu contou que uma vez tentou explicar a um adolescente de 15 anos a premissa de Matrix - ou seja, a luta do personagem pelaquilo que é real.

A resposta do jovem o deixou intrigado: "Quem se importa se é real?". A partir daí, Reeves comentou sobre músicas produzidas por IA no estilo de artistas conhecidos e sobre arte digital. "É legal, tipo: 'Olha o que essas máquinas fofas conseguem fazer!'", brincou.

Mas o ator também demonstrou preocupação com a quantidade de dados produzidos sobre o comportamento humano e com o espaço que essas tecnologias estão conquistando.

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"Vai ser interessante ver como os seres humanos vão lidar com essas tecnologias. Elas estão causando impactos culturais e sociológicos enormes, e a própria espécie está sendo estudada. Existe uma quantidade enorme de 'dados' sobre comportamentos agora", afirmou. Segundo ele, a tecnologia está entrando em áreas como educação, medicina, entretenimento, política e trabalho.

'O que vai ser apresentado para nós?'

Keanu também levantou uma questão sobre quem controla essas ferramentas e quais conteúdos serão colocados diante do público. "Por trás disso existe uma corporatocracia que quer controlar essas coisas. Cultural e socialmente, vamos ser confrontados com o valor do que é real - ou com a falta de valor do que é real. E então o que vai ser empurrado para nós? O que vai ser apresentado para nós?", questionou.

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