'Por causa dela virei ator': quando bebê, Matheus Nachtergaele perdeu a mãe de forma extremamente trágica e demorou ‘muitos anos’ para ressignificar a morte em poesia
Publicado em 3 de janeiro de 2026 às 06:09
Por Luiz Eugênio de Castro | Reality show, redes sociais e TV
Leonino apaixonado por entretenimento e cultura pop! Filho legítimo de Britney Spears e obcecado pela Anitta, claro!
Ator descobriu na adolescência que a mãe havia tirado a própria vida quando ele ainda era bebê e transformou as poesias deixadas por ela em ponto de partida para sua trajetória artística.
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[ALERTA: o texto a seguir aborda assuntos relacionados à saúde mental e ao suicídio. Caso a matéria desperte gatilhos ou você conheça alguém que precise de ajuda, procure o Centro de Valorização à Vida (ligue 188)]

Matheus Nachtergaele nunca separou completamente a arte da vida. No caso dele, as duas coisas caminham juntas desde o início... desde antes da memória, desde um trauma que só ganhou nome muitos anos depois. Foi aos 16 anos que o ator soube que a mãe biológica, a poetisa e musicista Maria Cecília Nachtergaele, havia tirado a própria vida quando ele tinha apenas três meses de idade. 

O impacto dessa revelação não apenas reorganizou sua história pessoal, como ajudou a moldar o artista inquieto, sensível e profundamente autoral que o público brasileiro conhece há décadas - e que brilhou como Poliana em "Vale Tudo" (2025)!

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Ao longo dos anos, Matheus falou sobre esse assunto, sempre com cuidado, sem espetáculo da dor. Ele revelou como o contato tardio com a obra da mãe - cartas, poemas, fragmentos de uma voz interrompida - acabou se transformando em motor criativo, matéria-prima artística e também em um caminho de elaboração do luto.

'Uma mãe perdida é uma coisa muito forte'

Em entrevista ao Extra, em 2020, Matheus falou com emoção sobre a ausência materna e sobre o modo como essa falta o acompanhou ao longo da vida, sem jamais defini-lo por completo. O ator explicou que cresceu cercado por figuras femininas que ajudaram a preencher esse vazio, especialmente a madrasta, a quem chama de mãe.

“Uma mãe perdida é uma coisa muito forte, que te marca muito, mas não te define como todo ou para sempre. Sou um órfão típico, um cara sem mãe que sobreviveu à falta dela com a ajuda de mães postiças. Tive uma principal, minha madrasta Carmem, que eu chamo de mãe e casou com meu pai quando eu tinha 1 ano e meio. Foi quem me ensinou tudo, com quem eu tive as maiores brigas e os abraços mais inesquecíveis”, afirmou o ator, emocionado.

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Na mesma entrevista, Matheus fez questão de reconhecer o papel simbólico e artístico da mãe biológica em sua trajetória. Foi ali que ele verbalizou, de forma direta, algo que atravessa sua obra:

“Cecília, minha mãe biológica e também minha mãe artística. Muito por causa dela eu me envolvi com artes, virei ator. Ela era uma poetisa e se matou quando eu era bebê. Por causa dela me envolvi com poesia, literatura e música. Fui perseguindo minha mãe através de coisas que ela gostava, foi uma boa professora".

O ator contou ainda que só teve contato direto com a voz da mãe quando o pai lhe entregou, na adolescência, uma pasta com poemas escritos por Maria Cecília, um gesto que mudou tudo. Ao Gshow, também em 2020, ele relembrou o momento:

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"Eu fiquei muito espantado, muito triste, muito chocado e muito aliviado por saber, finalmente, o que tinha acontecido com ela. Nessa mesma noite ele me entregou a pasta azul com os poemas. Eu fui pra beira da praia, passei a noite ali, amanheci ali, lendo os poemas, procurando pela primeira vez ouvir as palavras da minha mãe e acho que naquele momento eu me tornei o artista que eu sou"

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As cartas, os poemas e o nascimento de um espetáculo

Esse encontro tardio com a escrita da mãe não ficou restrito ao campo íntimo. Anos depois, ele se transformaria em cena, palavra dita, corpo em estado de escuta. Ainda ao Gshow, Matheus detalhou o processo de maturação que o levou a criar o espetáculo "Concerto do Desejo" e, posteriormente, "Desconcerto", uma releitura surgida durante a pandemia.

Na conversa com o portal, o ator revelou que a decisão de levar os poemas ao palco levou anos para amadurecer.

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“Eu demorei muitos anos para montar no palco os poemas da minha mãe. Há muito tempo eu pensava em como fazer isso e cheguei até a mostrar os 30 poemas que ela deixou, todos passados à limpo em uma máquina Olivetti, e guardados em uma pastinha de elástico azul, pra algumas atrizes pensando em dirigi-las”, contou.

O ponto de virada veio quase por acaso, a partir de um convite inesperado:

“O Festival de Teatro de Ouro Preto e Mariana me convidou pra fazer alguma coisa que eu tivesse na manga. Eu não tinha nada… Respondi que podia ler os poemas da minha mãe. Eles toparam e a aventura começou".

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