2.114 km a pé de Pernambuco ao RJ e ex-vendedor de cocadas: a incrível história de superação de saudoso jurado dos programas de calouros de Silvio Santos após morte da mãe. 'Uma coisa impensada, genial'
Publicado em 13 de setembro de 2026 às 06:03
Por Guilherme Guidorizzi | Notícias da TV, novelas e famosos
Escreve sobre novelas e entrevista o elenco para trazer as novidades dos próximos capítulos. Produz conteúdos sobre famosos e TV.
A jornada épica de um jurado icônico dos programas de Silvio Santos começa com uma decisão drástica após uma perda familiar: caminhar centenas de quilômetros em busca de um sonho. Descubra quem foi o atutor do fato
Veja + após o anúncio

Um dos maiores jurados dos programas de calouros, Pedro de Lara morreu há exatos 19 anos, em 13 de setembro de 2007 aos 82 anos. Companheiro dos também já falecidos Elke Maravilha (1945-2016) e Wagner Montes (1954-2019) nos programas de Silvio Santos (1930-2024), o ator, radialista, intérprete de sonhos, e escritor não resistiu a complicações de um câncer de próstata, descoberto três anos antes - a doença foi escondida da família e só descoberta quando já estava em estágio terminal.

Ex-vendedor de cocadas nos trens do Rio, Pedro Ferreira dos Santos nasceu em Bom Conselho, no agreste de Pernambuco, e trabalhou em rádios antes de chegar à TV. Outro trabalho marcante foi dar vida ao palhaço Salsi Fufu no programa do "Bozo", contracenando com Valentino Guzzo, visto aqui em foto de juventude

O longo percurso de Pedro de Lara de PE ao RJ

Mas antes da fama, uma história surpreendente foi contada e repetida várias vezes por Pedro de Lara sobre sua chegada ao Rio: uma verdadeira epopeia feita a pé a partir de sua cidade natal. Isso mesmo a pé, como relatou Décio Piccini no "Domingo Legal". "Saiu de lá a pé porque a mãe morreu. Então, no dia seguinte tinha que procurar alguém que o abrigasse. Começou a andar em direção ao Sul até chegar ao Rio", exaltou o jornalista.

Veja + após o anúncio

O percurso entre as duas cidades é de impressionantes 2.114 quilômetros. "É uma coisa impensada, genial. Mas isso ele levava com um humor chapliniano. Era meio (Charlie) Chaplin (1889-1977), meio louco, era Pedro de Lara", completou o jurado a respeito do amigo, eleito Melhor Jurado pelo Troféu Imprensa em 1982. "O Pedro costumava dizer que vinha a pé até aqui, pedindo carona, Veio em busca do sonho de ser artista. Muita coisa passou na vida", reforçou sua cunhada, Lu Gomes, no mesmo programa.

Veja também
'Vamos! Mas vamos logo, que amanhã eu...': como Elke Maravilha se livrou de abuso sexual há quase 5 décadas; jurada ícone da TV nos anos 1980 morreu há 10 anos
Pedro de Lara era conservador assumido: 'Defensor da família e da moral'

Passou pelo cinema, chegando a estrelar um filme, roteirizado por ele mesmo. "Padre Pedro e a Revolta das Crianças", de 1984, contava com um elenco bem eclético: Gugu Liberato (1959-2019), Ivo Holanda, das câmeras escondidas do SBT, e a atriz Wilza Carla (1936-2011), a dona Redonda da primeira versão da novela "Saramandia". 

Nos programas como "Show de Calouros", surgia sempre com a cara amarrada, os cabelos presos em rabo de cavalo e segurando um buquê de lírios. "Sou um conservador, um defensor dos princípios da família e da moral. Nunca aceitei que ninguém cantasse sem sutiã, nem com minissaia, que se tornou coqueluche anos atrás. Sempre tomei medidas enérgicas contra isso, até ameaçando me retirar quando o candidato era muito acintoso", disparou à "Folha de S.Paulo" no fim de 1999 o machista convicto.

Veja + após o anúncio
Jurado de Silvio Santos, Pedro de Lara nasceu em que dia?

"Acabei concluindo que cabelo comprido no homem é um sinal de sabedoria, tradição e respeito. Só os grandes homens da história é que mantiveram longos cabelos, inclusive Jesus e Tiradentes. (...) A mulher tem de pedir licença para o homem quando quiser falar. Caso contrário, estará cometendo um erro", acrescentou o exigente jurado.

Na mesma entrevista, explicou a origem do nome artístico. "Grandes figuras, como dom Pedro de Lara, me inspiraram a ter esse nome, porque Ferreira dos Santos, meu nome de batismo, não tem ênfase. Não é aquela coisa artística... Imagine: 'Agora, com vocês, Pedro Ferreira dos Santos', não dá", afirmou, acrescentando algo ainda mais curioso sobre a data de nascimento, creditada como 25 de fevereiro de 1925.

"Pretendo ter nascido em 1925, mas geralmente gênio não nasce, aparece", concluiu Pedro, visto ainda no "Show do Ratinho", "Gente que Brilha", repetindo a parceria com Silvio, e no "Calouros em Delírios", atração que comandou na CNT.

Últimas Notícias
Últimas Notícias
Tendências
Todos os famosos
Top notícias da semana