A temperatura nas redes sociais segue nas alturas, e a trégua entre Neymar e Richarlison parece longe de acontecer! Depois de ser chamado de "moleque" pelo camisa 10 do Santos, o atacante do Tottenham aproveitou uma notícia fresquinha sobre as dores de cabeça judiciais do pai do ex-companheiro de Seleção para dar o troco. Sem perder a oportunidade, ele devolveu a alfinetada com a mesma moeda.
Tudo começou no último sábado (7), quando Richarlison comentou uma publicação do UOL que detalhava um processo milionário contra Neymar da Silva Santos, pai e empresário do craque. A ação tramita na Justiça de São Paulo e tem valor de R$ 58,9 milhões. O caso envolve a compra de uma mansão de R$ 94,5 milhões em um condomínio de luxo na Grande São Paulo.
Vendo a oportunidade de resgatar uma provocação anterior, o Pombo não perdoou e disparou nos comentários: "Então ele não leu o contrato, né?". A tirada foi uma referência direta à ironia que o próprio Neymar havia feito dias antes, quando chamou Richarlison de moleque após uma brincadeira sobre uma ilha em Angra dos Reis.
Para entender onde essa história começou a desandar, é preciso voltar ao dia 27 de outubro. Naquela ocasião, Richarlison publicou imagens geradas por inteligência artificial em que aparecia curtindo uma ilha em Angra dos Reis, no litoral fluminense. Na legenda, soltou a provocação: "Então não tem ninguém na ilha, né?".
A piada fazia referência à disputa pelos direitos de posse e ocupação de um imóvel na Ilha Comprida, em Angra dos Reis. Richarlison afirma ter comprado a propriedade por cerca de R$ 10 milhões em 2020. A disputa envolve a transferência dos direitos sobre o imóvel para uma empresa ligada ao advogado Willer Tomaz, negociação contestada pelo jogador.
O caso também ganhou repercussão política por causa do senador Flávio Bolsonaro, que demonstrou interesse pelo imóvel e foi citado na troca de mensagens entre ele e o jogador. O parlamentar nega ter participado da negociação e afirma que seu nome foi envolvido na história após uma visita à propriedade. Segundo informações divulgadas pelo UOL, ele foi indicado como testemunha no processo.
A disputa judicial teve decisões favoráveis à empresa ligada a Tomaz, inclusive no Superior Tribunal de Justiça (STJ), em 2025. Mas o assunto voltou a ganhar força em novembro de 2026: a Secretaria do Patrimônio da União (SPU) identificou possíveis irregularidades na transferência do imóvel e encaminhou o caso a órgãos de investigação.
Entre os questionamentos está o intervalo de apenas uma hora e 40 minutos entre a solicitação e a emissão da autorização de transferência. O material foi encaminhado à Polícia Federal e à Controladoria-Geral da União, enquanto o Ibama também foi acionado para apurar possíveis irregularidades ambientais. Em 6 de novembro, a SPU ainda suspendeu temporariamente os registros de quatro imóveis ligados a Willer Tomaz na Ilha Comprida.
Agora, a roda deu voltas e a ironia bateu à porta da família Neymar. Segundo informações publicadas pelo g1, Neymar pai virou alvo de uma ação movida pela D.Y.T.T. Administradora de Imóveis, empresa que lhe vendeu uma mansão no Residencial Tamboré 3, em Santana de Parnaíba, na Grande São Paulo.
O contrato foi assinado em maio de 2025. O imóvel, inicialmente negociado por R$ 95 milhões, teve o valor ajustado para R$ 94,5 milhões.
O formato do pagamento previa uma parte em dinheiro e outra por meio da chamada "dação em pagamento", quando um bem é oferecido para quitar parte do valor de uma negociação. Nesse caso, a família Neymar ofereceu uma casa localizada no Residencial Alphaville 2, em Barueri, avaliada em R$ 32 milhões. Segundo as informações divulgadas pelo UOL, a família também havia pago R$ 17,5 milhões na assinatura do contrato.
O problema é que, segundo a empresa vendedora, o imóvel oferecido como parte do pagamento tinha pendências relacionadas a obras e alterações feitas fora das regras do condomínio. A casa já era alvo de uma disputa judicial movida pela associação de moradores, envolvendo intervenções como boliche, spa, cozinha e acabamentos.
Em março de 2023, a Justiça determinou que fossem feitas adequações no imóvel. A decisão foi mantida pelo Tribunal de Justiça de São Paulo, e havia recurso pendente no Superior Tribunal de Justiça.
A D.Y.T.T. alega que Neymar pai assumiu contratualmente a responsabilidade de entregar o imóvel de Alphaville regularizado. Como isso não teria acontecido, a empresa passou a contestar a casa como forma de pagamento e agora pede que os R$ 32 milhões sejam pagos em dinheiro.
Por outro lado, a defesa do empresário rebate a cobrança. Os advogados sustentam que a vendedora já conhecia a situação jurídica da propriedade quando aceitou o acordo e classificaram a exigência de mudança na forma de pagamento como uma "pretensão absurda, despropositada e desproporcional".
A conta da ação ainda envolve outros valores. Além dos R$ 32 milhões referentes à casa de Alphaville, a empresa cobra aproximadamente R$ 1,8 milhão relacionado a despesas de conclusão de obras e uma indenização contratual de 20% do valor total do negócio, equivalente a R$ 18,9 milhões. Somados os pedidos apresentados pela empresa, o valor atribuído à causa chega a R$ 58,9 milhões. Isso não significa, porém, que Neymar pai tenha sido condenado a pagar essa quantia: trata-se de uma ação em andamento, com alegações da empresa e contestação da defesa.
Até a publicação das informações pelo UOL, Neymar pai ainda não havia sido formalmente notificado da ação e, portanto, não tinha apresentado sua defesa no processo. Procurada, a assessoria do empresário informou que não tinha conhecimento do assunto e não comentaria eventuais processos judiciais.