Ministério Público pede acesso aos contratos de Neymar e Virgínia com casa de apostas; estratégias de marketing usadas pelos famosos estão sob análise
Publicado em 24 de junho de 2026 às 16:36
Por Pedro Henrique Cabo | Colaborador
Geek fashionista que canta 'Let It Go' no chuveiro, trata 'O Diabo Veste Prada' como religião e escolheu Piplup como seu inicial. Jornalista metido a designer, cinéfilo de Letterboxd e amante das artes.
Segundo o Ministério Público do Distrito Federal e Territórios, mais de 42 mil reclamações registradas contra a Blaze ajudaram a motivar a instauração do inquérito civil público
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Uma investigação conduzida pelo Ministério Público do Distrito Federal e Territórios (MPDFT) colocou sob análise os contratos publicitários firmados por Neymar Jr., Virgínia Fonseca e outros influenciadores com a plataforma de apostas Blaze. A medida foi revelada pelo g1 nesta quarta-feira (24) e faz parte de um inquérito civil público que busca apurar possíveis irregularidades relacionadas à atuação da empresa no Brasil.

É importante destacar que o camisa 10 da Seleção e a dona da WePink não são investigados. Segundo informações divulgadas pelo g1, o foco da apuração está na conformidade regulatória da plataforma e na eventual prática de condutas consideradas abusivas contra consumidores.

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Por que os contratos dos famosos chamaram a atenção?

A 1ª Promotoria de Justiça de Defesa do Consumidor (Prodecon) solicitou à empresa cópias dos contratos de publicidade firmados com Neymar Jr., Virgínia Fonseca, Lucas Lira e Bruna Sunaika. O objetivo é entender melhor as estratégias de marketing utilizadas pela plataforma, especialmente em campanhas que mencionam a possibilidade de obtenção de "renda extra".

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De acordo com informações divulgadas pelo MPDFT e repercutidas pelo g1, a análise busca verificar como essas mensagens foram apresentadas ao público e se estão em conformidade com as normas de proteção ao consumidor. Até a última atualização da reportagem, os influenciadores citados e a empresa não haviam se manifestado sobre o pedido.

O que levou à abertura da investigação?

Segundo o MPDFT, a plataforma é operada pela empresa Foggo Entertainment Ltda., sediada em Curaçao, e se tornou conhecida no Brasil por meio de campanhas publicitárias massivas envolvendo influenciadores digitais e jogos do tipo crash.

O inquérito foi instaurado na última sexta-feira (19), após denúncias envolvendo retenção sistemática de valores de usuários sob justificativas consideradas genéricas. Além disso, um relatório técnico apontou a existência de mais de 42 mil reclamações registradas contra a plataforma.

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A investigação poderá resultar em medidas judiciais e até mesmo em um pedido de indenização por danos morais coletivos estimado em R$ 120 milhões, conforme informado pelo MPDFT.

Quais suspeitas estão sendo analisadas?

Entre os pontos que estão sendo investigados estão possíveis irregularidades relacionadas à retenção indevida de valores e ao bloqueio arbitrário de contas de usuários.

A promotoria também pretende esclarecer questões ligadas à imposição de cláusulas contratuais consideradas abusivas, exigências excessivas para a liberação de bônus promocionais, tratamento de dados pessoais dos consumidores e possíveis práticas de publicidade enganosa na captação de novos clientes.

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Outro aspecto importante da apuração envolve a adequação da plataforma às normas que regulamentam as apostas de quota fixa no país e às regras previstas na legislação de defesa do consumidor.

O que a Blaze terá que apresentar?

Inicialmente, a Prodecon determinou a inclusão de relatórios do portal Reclame Aqui referentes aos últimos 12 meses. Os documentos deverão apresentar informações sobre reclamações registradas, índices de resposta, solução de problemas e avaliação da empresa pelos consumidores.

Além disso, a plataforma precisará fornecer detalhes sobre os processos de abertura, manutenção, bloqueio e encerramento de contas, bem como apresentar documentos relacionados a bônus, promoções e exigências para liberação de benefícios oferecidos aos usuários.

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A promotoria também solicitou relatórios sobre contas suspensas ou bloqueadas, valores eventualmente retidos e os critérios utilizados para essas restrições. Informações sobre mecanismos de prevenção à lavagem de dinheiro e a estrutura societária da empresa também foram requisitadas.

Jogo responsável entra no centro da discussão

Outro ponto que despertou atenção das autoridades diz respeito às políticas de jogo responsável adotadas pela plataforma. Segundo o MPDFT, a empresa deverá esclarecer quais ferramentas oferece para que usuários possam limitar ou interromper sua participação nas apostas.

Entre os mecanismos que serão analisados estão recursos de autoexclusão, limites de apostas e procedimentos voltados ao atendimento de pessoas que desejam restringir o acesso ao serviço. A preocupação está relacionada aos riscos de superendividamento e à chamada ludopatia, condição caracterizada pelo vício em jogos.

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Paralelamente, a Secretaria Nacional do Consumidor (Senacon) também foi acionada para encaminhar relatórios de reclamações e informações sobre processos administrativos eventualmente instaurados contra a plataforma no Brasil.

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