Um dos momentos mais impactantes de 'Rainha da Sucata' está prestes a ser revisto pelo público no final da novela exibida no Vale a Pena Ver de Novo. Escrita por Silvio de Abreu e exibida originalmente em 1990, a trama marcou época com a chocante cena da morte de Laurinha Figueroa, interpretada por Gloria Menezes.
A sequência foi ousada para os padrões da época. A TV Globo quebrou uma regra histórica ao exibir, de forma explícita, um suicídio na televisão aberta.
Em outubro de 1990, reportagem da Folha de S.Paulo destacou que aquela seria a primeira cena trágica mostrada de maneira direta na TV brasileira.
Até então, o tema era tratado como tabu e quase sempre sugerido de forma indireta, quando os personagens eram encontrados mortos, e o suicídio apenas insinuado ou mencionado.
Entre as curiosidades da cena, as gravações ocorreram na madrugada de 7 de outubro de 1990, um domingo, no edifício Cetenco Plaza, na Avenida Paulista, em São Paulo.
O trabalho durou mais de 12 horas e atraiu cerca de 300 curiosos, segundo estimativas do Corpo de Bombeiros e da Polícia Militar. Para realizar a queda do alto do prédio, a produção utilizou uma boneca de pano com cabeça de manequim, vestida com o figurino da personagem em seu último ato.
Na trama, Laurinha decide se jogar do edifício onde funcionam a Do Carmo Veículos e a boate Sucata, parte do império de Maria do Carmo, vivida por Regina Duarte. Antes do salto fatal, a vilã arranca o brinco da rival para simular uma briga e tentar incriminá-la por assassinato, num último ato de perversidade.
A força dramática da sequência foi ampliada pela montagem. Enquanto Laurinha se lança ao vazio, a narrativa intercala cenas de felicidade: o primeiro grande show de Adriana, personagem de Claudia Raia, filha da vilã.
As apresentações foram gravadas no antigo Cassino da Urca, no Rio de Janeiro, criando um contraste arrebatador entre a tragédia e o triunfo.