Entre os muitos elementos que tornaram ‘Rainha da Sucata’ um fenômeno da teledramaturgia brasileira, estão os cenários grandiosos e adereços que marcaram a novela dos anos 90. Quem começou a acompanhar o folhetim exibido no Vale a Pena Ver de novo, já pode perceber a grandiosidade da mansão dos Figueroa.
Um dos ambientes mais importantes da história foi construído pela equipe de produção da Globo, na época, por um estilo clássico, tons neutros e uma união de adornos e peças requintadas e antigas, habitual dos casarões dos ‘quatrocentões’ paulistanos.
Era o retrato fiel de um luxo ultrapassado, de uma aristocracia presa ao passado, vivendo entre espelhos, lustres e lembranças de um tempo que já não existia, assim como ocorre com a família ao longo da trama: do luxo ao fracasso total.
É possível acompanhar momentos em que Laurinha Figueiroa (Glória Menezes) circula por onde ambientes como sala, quartos, escritório e cozinha com perfil elegante, porém, extremamente frágil diante da decadência.
A concepção do espaço ficou a cargo dos cenógrafos Raul Travassos, Kuo Tsun Te e Henrique Ornellas. Travassos foi responsável por criar um ambiente que, embora grandioso, transmitisse um certo ar de opressão e desgaste.
Já Kuo Tsun Te, conhecido por seu trabalho como designer de produção e engenheiro civil, com créditos em produções como ‘Selva de Pedra‘ (1986), ajudou a garantir a elegância estrutural e o realismo arquitetônico do cenário. A ideia era mostrar uma casa que fora, um dia, símbolo de poder e status, mas que agora resistia apenas pela aparência.
A cidade cenográfica de 'Rainha da Sucata' foi construída em Guaratiba, zona oeste do Rio de Janeiro. A Globo reproduziu um quarteirão do bairro paulistano de Santana, e a mansão dos Figueroa, no sofisticado bairro Jardim Europa.
O contraste entre a mansão dos Figueroa e o escritório moderno de Maria do Carmo (Regina Duarte) reforçava o conflito central da novela, o embate entre a velha elite e a nova classe emergente.
O cenário da empresária também virou ícone: sua mesa de trabalho, feita a partir da dianteira de um Chevrolet 1958, simbolizava o espírito inovador e popular que Maria do Carmo representava, em oposição à pompa antiquada dos Figueroa.