Uma das mulheres mais admiradas do mundo, Martha Rocha mostrou que a beleza verdadeira se sustenta com caráter, trabalho e serenidade. A primeira Miss Brasil completaria 94 anos neste sábado, 19 de setembro, caso estivesse viva.
Eleita Miss em 1954 e vice-versa no Miss Universo, a baiana de Salvador soube lidar com grandes diversidades em sua vida; da saúde à doença, da riqueza à pobreza, mas uma coisa é certa: nunca perdeu sua beleza por dentro e por fora.
O mais interessante na trajetória da eterna miss é que sua vida esteve longe de ser um conto de fadas. Martha morou em uma cobertura com vista para o mar e em apartamentos enormes na capital fluminense. Foi casada com Álvaro Piano, que morreu em um acidente de avião, na Argentina, em 1960, deixando a esposa viúva aos 23 anos.
A partir daí, tudo mudou! Martha foi vítima de um golpe financeiro em 1995, quando o cunhado Jorge Piano fugiu com todo o seu dinheiro. Sem se abater, reorganizou a vida com 'trabalho honrado', vendendo quadros que pintava e participando de eventos como jurada de concursos de miss.
Em 2001, descobriu um câncer de mama, doença a qual atribuiu aos aborrecimentos do calote, mas venceu o tumor após tratamento longo.
Anos depois, em 2019, aos 87 anos, assumiu com dignidade que moraria em uma casa de repouso por questões financeiras, em Niterói: "Não me sinto diminuída ou humilhada por isso. Minha dignidade segue sem máculas", disse ela, o Facebook, em março de 2019.
Martha não deixou um 'manual' de beleza com uma fórmula capaz de explicar sua aparência ao longo dos anos. E talvez justamente aí esteja uma das maiores lições de sua história.
Em seus últimos anos, ela mantinha uma rotina disciplinada: fazia as refeições em horários determinados e contava com acompanhamento de psicólogos e fisioterapeutas. Ela também recebia visitas frequentes dos filhos e netos.
Ou seja, se alguém procurar na história de Martha Rocha um segredo milagroso para permanecer bonita, provavelmente não encontrará. O que aparece é algo mais concreto: disciplina, cuidado, autoestima e capacidade de se adaptar às mudanças da vida.
Martha Rocha ensinou que a beleza abre as portas, mas é a integridade que mantém as luzes acesas. Martha Rocha morreu em julho de 2020, aos 87 anos, deixando um legado de resiliência, dignidade e estilo — prova de que é possível envelhecer com graça, mesmo quando a vida tira o chão.