A psicologia afirma: quando as pessoas com mais de 70 anos começam a dar coisas de presente (louças, ferramentas, anéis), não estão se livrando de objetos desnecessários; chegaram a uma fase em que distribuir testemunhos de uma vida é mais importante do que guardá-los
Publicado em 16 de setembro de 2026 às 16:02
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Estudo revela que as pessoas sabem que não precisam da maioria de seus pertences. Porém, o apego emocional é um obstáculo para desapegar de tais objetos
A psicologia afirma: quando as pessoas com mais de 70 anos começam a dar coisas de presente (louças, ferramentas, anéis), não estão se livrando de objetos desnecessários; chegaram a uma fase em que distribuir testemunhos de uma vida é mais importante do que guardá-los Segundo estudos, idosos que se desfazem de objetos lidam com situação de 'comboio material' - ou seja, os objetos que vamos guardando com o tempo Com o tempo se torna difícil desapegar de objetos por conta dos valores que eles têm Estudos apontam que quando notamos que o tempo tem um prazo de vida aqueles objetos guardados com um significado emocional se sobressaem frente à exploração Nesses estudos passamos a perguntar 'quem deveria ficar com isso?'

Foi só a minha avó chegar aos 74 anos que ela passou a se desfazer de várias coisas que eram dela. O meu irmão ficou com uma coleção de discos e para minha irmã deu um jogo de chá de porcelana que era usado todos os domingos quando a família se reunia.

Já a minha mãe ganhou um quadro que enfeitava o corredor e para mim, uma corrente de ouro com medalhão que ela nunca tirava. Minha avó apenas disse que estava se "desapegando" e eu nem perguntei nada.

Ato de desapego para a psicologia

Só que esse tal do medalhão acabou me fazendo refletir. O que levou minha avó a se desfazer de uma coisa tão pessoal e que usava diariamente? Uma hipótese era ter mais espaço em casa. A outra: ela queria decidir o futuro desses fragmentos da sua vida.

Acontece que para a psicologia, esse tipo de comportamento representa muito mais do que simplesmente uma limpeza. E um estudo de sociólogo da Universidade do Kansas se virou para os idosos e passou a analisar como é a relação deles com os próprios pertences, surgindo a expressão "comboio material".

O termo nada mais é do que aquele grupo de objetos que nós guardamos com o tempo e que vai crescendo através das funções que desempenhamos. E reduzindo de quantidade a medida que esses papéis se transformam. Não podemos, assim, os classificar de "coisas", pois é um registro vital e cada um desses pertences conversa com uma época ou relacionamento que temos.

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Por que é difícil desapegar de objetos?

Vamos pensar pegando os itens que mencionei. Os discos remetiam às manhãs de sábado com o rádio na cozinha. Já os 30 anos de jantares com a família têm ligação com a porcelana. Por fim, o medalhão que minha avó tanto usou por anos e anos acabou se ligando à própria imagem dela.

Analisando as pessoas a partir dos 60 anos, esse grupo sabe que grande parte dos seus objetos é totalmente desnecessária, segundo estudo do Kansas. O desapego só é difícil de acontecer por conta da relação emocional que cada um desses pertences reúne.

Mas acontece que certa hora a visão que a minha avó tinha mudou. Ela não pensou mais na relação que tinha pelos pertences e quis pensar qual seria o futuro de cada um. Não foi um "descarte" e sim uma, digamos, "colocação" de maneira intencional.

Menos tempo de vida, mais desapego

Tal atitude conhecemos como "seletividade socioemocional". Estudos de Stanford apontam que quando notamos que o tempo tem um prazo de vida aqueles objetos que têm um significado emocional se sobressaem frente à exploração.

Não é o caso de dizer que estamos remoendo a morte, e sim que diante de um tempo mais curto de vida passamos a questionar "eu ainda uso isso?" para "quem deveria ficar com isso?". O ato é de generatividade e não de acumulação.

Responsável pelo estudo humano durante a vida, o psicólogo Erik Erikson classificou esse comportamento de "o desejo de contribuir com algo que sobreviva a você". Para alguns, se transforma em um trabalho voluntário ou de mentor. No caso da minha avó foi a herança do quadro.

O que representa para idosos doar objetos?

E as pesquisas reforçam o que a minha avó parecia saber de maneira instintiva. Reforçamos isso porque a revista "The Gerontologist", em 2023, ouviu pessoas da terceira idade haviam escrito seus legados de valores, na visão dos estudiosos: seja uma carta ou documento que passa lições de vida e crenças ao invés de bens materiais.

Dessa forma, várias vezes se indicou que o tinha importância nunca era o objeto em si, mas sim o fato de ser lembrado e valorizado por quem se ama. Um dos idosos ouvidos apontou tal atitude como a chance de expressar alguma coisa fora de um testamento tradicional, que fica preso a bens materiais.

Um segundo classificou como uma maneira de se fazer notar. E nesse caso um objeto físico tem chance de ter o mesmo propósito caso quem esteja doando escolher a pessoa mais ideal para receber tal bem.

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Por Guilherme Guidorizzi | Notícias da TV, novelas e famosos
Escreve sobre novelas e entrevista o elenco para trazer as novidades dos próximos capítulos. Produz conteúdos sobre famosos e TV.
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