Se você estiver mal, não guarde para você. Nem em casa, nem com as suas amigas, nem no trabalho. E quem não quiser te apoiar, não acreditar em você ou criticar o seu estado, que se dane — estamos te dizendo isso com todas as letras.
Nós e a psicóloga que o portal Trendencias consultou, que é defensora fiel de falar sobre saúde mental até mesmo no ambiente de trabalho para quebrar tabus e se poupar de toxicidades.
Inspire-se na deusa que é Simone Biles e deixe claro que a sua saúde mental é uma prioridade, digam o que disserem às suas costas.
O primeiro passo para normalizar os problemas psicológicos é falar sobre eles. Inclusive com seus colegas de trabalho, porque verbalizar que estamos passando por um momento difícil traz muitas vantagens para o seu bem-estar, para o seu entorno e até para a empresa.
Iria Reguera, nossa psicóloga especialista, nos explica que esse tabu que existe em torno das doenças mentais pode ir tão longe que acaba se transformando em shaming (humilhação).
"Custa muito dar o primeiro passo, parece que se você conta que está mal e não é algo visível a olho nu ou quantificável, você está dando desculpas. Existe o mito de que é muito fácil conseguir uma licença por depressão."
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Ela mesma explica que é precisamente por isso que precisamos falar, nos informar e cuidar de nós mesmas. Para quebrar o tabu. Por isso celebramos que a cada dia mais famosos falem sobre sua saúde mental, porque eles nos encorajam a tocar em assuntos difíceis de digerir e a perder o medo de contar o que está acontecendo com a gente.
Além de quebrar estereótipos de pessoas de mente fechada, contar em voz alta que você está sofrendo pode incentivar outras amigas e colegas de trabalho a darem o passo. Um efeito em cadeia que fará com que muitos outros peçam ajuda, saibam que têm alternativas se quiserem falar sobre o assunto e tirem o peso da situação. É com essa clareza que afirma a especialista Iria Reguera.
Nossa psicóloga nos deu inclusive razões para normalizar o diálogo sobre saúde mental que são boas para a empresa. Porque se calar e continuar acumulando, mesmo quando você não aguentar mais, não vai fazer bem a ninguém. Você sofre, trabalha pior, fica menos eficiente e isso se reflete no seu rendimento.
Conclusão da especialista: ao seu chefe também interessa que você se sinta à vontade para se expressar e, assim, começar a se recuperar.
Existem centenas e milhares de casos de colegas de trabalho que acabam se tornando verdadeiras amigas. Oito horas diárias compartilhando perrengues, vitórias e acordando cedo de segunda a sexta unem muito. Mas se abrir para compartilhar informações mais privadas e se sentir à vontade para normalizar os problemas mentais indica que elas são mais do que colegas. Que são amigas e confidentes que te fazem bem.
No entanto, não serve qualquer uma. A psicóloga consultada nos alerta que é fundamental escolher "a quantidade de informação que você compartilha, o momento e a pessoa com quem faz isso". Ela também destaca a importância da política de Recursos Humanos e dos nossos superiores, que às vezes são mais parte do problema do que da solução
"Você precisa se sentir segura para compartilhar. É preciso levar em consideração a filosofia da empresa e a empatia dos superiores. As colegas de trabalho são ótimas para desabafar, mas na hora de pedir uma licença médica você terá que subir a hierarquia dos chefes. Se você não sente que a empresa te apoia, busque assessoria jurídica para se sentir mais amparada."
E lembre-se, amiga: você sempre tem o direito de se sentir como se sente, de pedir uma licença para cuidar disso e de não esconder nem calar esses problemas.