Por que seu filho estuda, mas não aprende? O historiador grego Plutarco tem a resposta
Publicado em 18 de março de 2026 às 07:50
Por Pedro Henrique Cabo | Colaborador
Geek fashionista que canta 'Let It Go' no chuveiro, trata 'O Diabo Veste Prada' como religião e escolheu Piplup como seu inicial. Jornalista metido a designer, cinéfilo de Letterboxd e amante das artes.
Frase de Plutarco, escrita há quase dois mil anos, volta a ganhar força ao explicar por que muitas crianças estudam, mas não conseguem aprender de verdade; entenda
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Mesmo tendo sido dita há quase dois mil anos,  já que Plutarco nasceu em 46 d.C., uma reflexão do historiador, biógrafo e filósofo grego continua extremamente atual e pode servir como uma verdadeira regra para educar crianças. A frase é a seguinte: “A mente não é um vaso que precisa ser preenchido, mas um fogo que precisa ser aceso.”

Com essa ideia, ele defendia que a educação deveria despertar a curiosidade, o pensamento crítico e a motivação interna das crianças, em vez de simplesmente obrigá-las a decorar conteúdos sem sentido. É um conceito surpreendentemente moderno de ensino, que também está alinhado com o modo como o cérebro aprende melhor - e que, ao mesmo tempo, contribui para que a criança se sinta mais realizada no processo de aprendizagem.

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Do ponto de vista científico, há um fator fundamental: informações que não se conectam com interesses, emoções ou experiências pessoais tendem a ser esquecidas rapidamente.

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Quando o aprendizado se resume apenas à memorização de dados e o aluno atua como um receptor passivo, o resultado costuma ser um conhecimento superficial e frágil. Ou seja, estudar muitas horas não significa necessariamente aprender de verdade.

O erro silencioso que transforma o estudo em algo inútil

Quando a escola ou os adultos tratam o aprendizado como uma simples transmissão de informações, o processo se torna mecânico. A criança memoriza conteúdos apenas para provas ou tarefas e, pouco tempo depois, esquece quase tudo. Esse modelo transforma o estudo em uma obrigação sem sentido, e não em uma descoberta.

Sem emoção, não existe aprendizado profundo

A neuropsicologia é bastante clara nesse ponto: não há aprendizado verdadeiro sem emoção. O cérebro lembra melhor daquilo que considera importante, e sentimentos como curiosidade, surpresa e desafio ativam os sistemas de atenção e memória.

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Quando Plutarco fala em “acender um fogo”, ele usa uma metáfora para explicar que aprender é um processo vivo e dinâmico, não algo mecânico. Nesse contexto, a emoção funciona como a faísca inicial: é o desejo de descobrir que vem antes do conhecimento.

O verdadeiro segredo do aprendizado que dura a vida inteira

Acender esse “fogo” significa apostar em um aprendizado que nasce da motivação interna e se constrói gradualmente. Em outras palavras, a mente aprende melhor quando realmente quer aprender.

Quando a criança é estimulada a explorar, perguntar e descobrir, ela se torna protagonista do próprio conhecimento.

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Além disso, estudos mostram que a motivação intrínseca, aquela que surge do interesse genuíno, é um dos fatores mais confiáveis para prever bom desempenho acadêmico em adolescentes e jovens.

As três necessidades invisíveis que fazem o cérebro aprender melhor

De acordo com a Teoria da Autodeterminação, desenvolvida pelos psicólogos Edward Deci e Richard Ryan, o aprendizado mais profundo acontece quando três necessidades básicas são atendidas:

  • Autonomia: sentir que pode escolher e participar do processo
  • Competência: perceber que é capaz de aprender e evoluir
  • Vínculo: sentir-se apoiado e compreendido

Para os pais, uma mudança simples de postura já faz diferença. Em vez de dizer “Você precisa aprender isso”, pode ser mais eficaz dizer “Vamos descobrir isso juntos?”.

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Essa abordagem estimula justamente as três necessidades citadas.

O detalhe no cérebro que explica tudo: a dopamina

Nesse sentido, “acender o fogo”, como dizia Plutarco, significa primeiro despertar o interesse da criança, em vez de simplesmente impor conteúdos. E nisso entra um elemento importante do cérebro: a dopamina, substância ligada à motivação, ao prazer e à curiosidade. Quando o aprendizado desperta interesse real, o cérebro libera dopamina, o que aumenta o foco, a memória e o desejo de continuar aprendendo.

Por que recompensar nem sempre funciona

Vale lembrar que motivar não é o mesmo que recompensar. Dar prêmios por boas notas pode até funcionar no começo, mas não garante que a criança desenvolva interesse verdadeiro pelo aprendizado.

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Quando o estudo acontece apenas em troca de recompensas externas, o aluno tende a fazer apenas o mínimo necessário — e perde o interesse quando o prêmio desaparece.

Já quando o interesse verdadeiro é despertado e as necessidades de autonomia, competência e vínculo são atendidas, o cérebro reage de outra forma: o aprendizado se torna mais profundo e duradouro.

A mudança de papel que pais e professores precisam fazer

Nesse cenário, o papel do adulto também muda. Em vez de ser apenas o transmissor de conhecimento, ele passa a atuar como alguém que protege a curiosidade da criança e a orienta em suas descobertas.

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Essa visão tem implicações importantes para a educação. Professores e pais não devem apenas tentar “encher” a mente das crianças com informações, mas sim estimular nelas o desejo de aprender.

A lição de dois mil anos que continua mais atual do que nunca

Porque, no fim das contas, como já dizia Plutarco há quase dois mil anos, educar não é encher um recipiente vazio, é acender uma chama que continuará queimando ao longo da vida.

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