Perfumar os cabelos pode parecer um truque simples para prolongar aquela sensação de banho tomado, mas o hábito exige alguns cuidados. Embora os perfumes convencionais sejam desenvolvidos para perfumar a pele, sua aplicação frequente nos fios pode contribuir para o ressecamento e, em pessoas mais sensíveis, provocar irritações no couro cabeludo. Para quem não abre mão de deixar os cabelos cheirosos, os perfumes capilares e os hair mists podem ser alternativas, desde que sejam utilizados da maneira correta.
Em entrevista, a terapeuta capilar Odila Martins explica por que é importante prestar atenção à composição dos produtos, quais sinais merecem atenção e como escolher uma fragrância adequada para os fios. A especialista também esclarece uma dúvida comum: usar perfume no cabelo provoca queda?
De acordo com Odila Martins, o uso de perfumes convencionais diretamente nos cabelos pode ser prejudicial, principalmente quando se torna frequente. O motivo é que esses produtos são formulados para perfumar a pele, e não especificamente a fibra capilar.
“Um dos componentes que merece atenção é o álcool etílico, geralmente presente em concentrações elevadas. Além disso, algumas substâncias responsáveis pelas fragrâncias podem provocar irritações ou reações alérgicas no couro cabeludo, especialmente em pessoas mais sensíveis”, explica a terapeuta capilar.
O álcool etílico é uma substância volátil, ou seja, evapora rapidamente. Dependendo da concentração, da formulação e da frequência de aplicação, ele pode contribuir para a perda de hidratação dos fios.
“Quando o cabelo perde sua capacidade de manter a hidratação e apresenta alterações na superfície da cutícula, pode ficar mais áspero, com frizz e menor maleabilidade”, alerta a especialista.
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O uso frequente de produtos inadequados pode afetar a aparência e a textura dos cabelos. Segundo Odila Martins, o ressecamento, a aspereza e a perda de brilho estão entre os possíveis efeitos, que variam conforme a composição do produto e as condições em que os fios se encontram.
A atenção deve ser redobrada para quem tem cabelos descoloridos, coloridos ou submetidos a alisamentos. Esses procedimentos podem deixar a fibra capilar mais porosa e fragilizada, aumentando a necessidade de cuidados específicos.
“Nesses casos, o uso frequente de produtos inadequados pode agravar o ressecamento e favorecer a quebra”, afirma a terapeuta capilar.
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A especialista também destaca a importância da cutícula, camada mais externa do fio que ajuda a proteger sua estrutura interna. Quando essa região está comprometida, o cabelo tende a apresentar maior porosidade, embaraçamento e dificuldade para manter a maciez.
Por isso, antes de borrifar o perfume habitual nos cabelos, vale considerar se a fórmula é adequada para essa finalidade. O cheiro agradável não deve ser o único critério na escolha de um produto.
Além dos possíveis efeitos sobre a fibra capilar, algumas substâncias presentes nas fragrâncias podem causar reações no couro cabeludo. Conforme explica Odila Martins, os sintomas podem incluir coceira, vermelhidão, ardência e descamação, especialmente em pessoas com sensibilidade ou predisposição a alergias.
A especialista ressalta que determinadas substâncias podem desencadear dermatite de contato, seja por irritação, seja por uma reação alérgica. Por esse motivo, quem já apresenta sensibilidade precisa ter atenção redobrada à composição dos produtos utilizados na rotina de beleza.
A recomendação é observar como o couro cabeludo reage e não insistir na aplicação quando surgirem sinais de irritação. Se houver coceira persistente, vermelhidão, descamação ou outros sintomas, é importante buscar avaliação adequada para investigar a causa.
Essa é uma das dúvidas que podem surgir entre quem gosta de perfumar os cabelos. Segundo Odila Martins, não é possível afirmar que o perfume convencional provoque diretamente a queda ou impeça o crescimento dos fios.
“Quando o couro cabeludo apresenta uma inflamação importante ou persistente, pode haver repercussões na saúde capilar, inclusive queda em determinadas situações. Porém, isso não significa que toda reação ao perfume causará queda”, esclarece.
A terapeuta também chama a atenção para uma diferença importante: quebra e queda não são a mesma coisa. A quebra acontece na extensão do fio, enquanto a queda envolve o desprendimento do cabelo a partir do folículo.
Assim, embora determinadas substâncias presentes nos perfumes possam desencadear reações no couro cabeludo, não se deve atribuir automaticamente qualquer aumento da queda ao uso de fragrâncias. Investigar a causa é fundamental para compreender o que está acontecendo e buscar a orientação adequada.
Para quem gosta de cabelos perfumados, a principal orientação da especialista é escolher produtos desenvolvidos especificamente para uso capilar. Os perfumes para cabelo podem apresentar formulações diferentes das versões convencionais, com concentrações ajustadas de álcool e ingredientes condicionantes que ajudam a preservar a maciez e o aspecto dos fios.
Isso, porém, não significa que todos os produtos dessa categoria sejam livres de álcool ou estejam automaticamente livres de riscos. Como explica Odila Martins, a segurança depende da formulação como um todo.
Na hora de escolher um perfume capilar ou hair mist, vale conferir a lista de ingredientes. A terapeuta recomenda atenção ao álcool etílico, que pode aparecer identificado como Alcohol Denat., e a substâncias potencialmente alergênicas, como linalool, limonene, geraniol e citral, especialmente para quem tem histórico de sensibilidade.
A presença desses ingredientes não significa, por si só, que o produto provocará uma reação em todas as pessoas. A atenção deve considerar a sensibilidade individual e as características da fórmula.
A maneira de usar o produto também faz diferença. Mesmo quando a fragrância é desenvolvida especificamente para os fios, é importante respeitar as orientações de aplicação indicadas na embalagem.
“Aplique somente conforme a indicação do fabricante, evitando o contato direto com o couro cabeludo quando ele for destinado apenas aos fios”, orienta Odila Martins.
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A recomendação ajuda a evitar o uso inadequado e reforça a importância de observar a finalidade de cada produto. Afinal, nem toda fragrância pode ser aplicada indistintamente na pele, no couro cabeludo e no comprimento dos cabelos.
A especialista resume o cuidado com uma frase que merece atenção de quem ama um bom perfume: “E vale lembrar; cabelo cheiroso não significa necessariamente cabelo saudável.”
A fragrância pode complementar a rotina de beleza, mas não substitui a higienização adequada nem os cuidados necessários para manter os fios em boas condições. Como conclui Odila Martins, “A fragrância deve complementar uma rotina adequada de higienização e cuidados, nunca substituir esses hábitos.”